
Artur Avila, o gênio brasileiro que conquistou a mais alta honraria da matemática mundial, a Medalha Fields, considerada o Nobel de Matemática, há uma década, está em uma nova missão. Desta vez, ele não busca apenas equações e teoremas; ele quer recrutar talentos na China para fortalecer as instituições brasileiras. Aos 45 anos, Avila, o primeiro e único vencedor da Medalha Fields do Hemisfério Sul, quer transformar o Brasil em um destino de excelência para aqueles que sonham em se especializar na matemática.
Avila é um exemplo vivo de que a genialidade não precisa nascer em grandes centros acadêmicos internacionais. Em entrevista ao jornal "O Globo", ele relembra como a sua decisão de permanecer no Brasil, onde deu os primeiros passos na matemática, foi crucial para o seu desenvolvimento. "Eu nunca pensei em Harvard, Princeton ou MIT. Eu só queria me divertir com a matemática", conta ele, enfatizando que sua escolha de fazer doutorado no Brasil foi a melhor decisão que poderia ter tomado.
"Ficar no Brasil, cercado por excelentes pesquisadores, valeu mais a pena do que ser apenas mais um competindo no exterior. Eu comecei cedo, terminei o doutorado aos 21 anos. Esse acompanhamento no Brasil foi fundamental. Saí para a França logo depois, mas acredito que, se tivesse saído antes, minha trajetória poderia ter sido diferente", revela Avila.
A vitória de Avila em 2014 não foi apenas pessoal; ela sacudiu as bases da ciência brasileira, inspirando uma geração e atraindo os olhares do mundo para o Brasil. A realização do Congresso Internacional de Matemáticos no Rio de Janeiro, quatro anos depois, foi uma consequência direta dessa conquista, colocando o país no mapa da elite acadêmica internacional.
Mas a onda de otimismo foi abalada. A crise política e econômica que se seguiu, com o impeachment de Dilma Rousseff, desanimou o cenário científico nacional. "O Brasil começou a ser visto como menos atraente no exterior. A falta de investimentos em pesquisa, especialmente em tempos de crise, enfraqueceu a ciência no país. Não conseguimos capitalizar a oportunidade que a Medalha Fields trouxe para atrair mais talentos", lamenta Avila.
Enquanto isso, a China fez o caminho oposto, investindo pesado para repatriar seus matemáticos e fortalecer sua base científica. Mas há algo que a China ainda não tem: uma Medalha Fields. E é exatamente essa vantagem que Avila pretende usar para atrair jovens chineses ao Brasil.
"Estou aproveitando essa oportunidade na China para mostrar que o Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada no Rio de Janeiro) pode ser uma excelente opção para os estudantes. A Medalha Fields que conquistei pode ser um chamariz poderoso", afirma ele, determinado a usar sua influência e prestígio para fortalecer a ciência brasileira e colocar o Brasil de volta ao centro das atenções globais na matemática.
O que Artur Avila pretende com esse recrutamento? Nada menos do que transformar o Brasil em uma potência científica, onde mentes brilhantes do mundo todo venham buscar conhecimento e onde a matemática seja uma força motriz de inovação e progresso.
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