
Juliana Marins caiu de um penhasco no meio da Indonésia e agonizou por dias à espera de socorro. Estava sozinha, machucada, escorregando montanha abaixo. E enquanto o corpo da jovem brasileira, cheia de vida e sonhos, permanecia num lugar inóspito e esquecido, o governo Lula enviava um avião da Força Aérea Brasileira — com tripulação militar e sigilo de cinco anos sobre os custos — para buscar em segurança, conforto e urgência uma ex-primeira-dama condenada por corrupção no Peru. Leia de novo: condenada por corrupção. E estrangeira.
Nadine Heredia, mulher do ex-presidente Ollanta Humala, foi trazida ao Brasil com todo o aparato do Estado sob o pretexto de “razões humanitárias”. O ministro das Relações Exteriores justificou dizendo que ela havia feito uma cirurgia na coluna e tinha um filho pequeno. Que bom que a solidariedade petista é tão seletiva. Porque Juliana, 24 anos, também precisava de ajuda. Tinha família, tinha uma vida inteira pela frente. Mas para ela, o mesmo governo lavou as mãos: disse que “não há base legal” para pagar o traslado de um corpo brasileiro morto no exterior. E a FAB? Nada. Nem um telefonema.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: este governo ajuda uma condenada por lavagem de dinheiro ligada à Odebrecht e vira as costas para uma brasileira morta à míngua. É esse o Brasil de hoje. Um país onde a diplomacia se mobiliza por aliados ideológicos — ainda que criminosos — e se esconde atrás de decretos frios quando o assunto é o povo comum. Não é falta de dinheiro. É falta de vergonha. Falta de senso. Falta de humanidade.
Não me espanta que a popularidade do governo esteja desabando. E não adianta culpar fake news. A realidade tem sido mais cruel do que qualquer mentira: os fatos falam por si. Um Estado que se move com pressa para proteger uma corrupta internacional, mas deixa uma jovem morrer sozinha num vulcão, é um Estado que perdeu completamente a noção de prioridade — e de decência.
Juliana foi resgatada tarde demais. E quem pagará pelo traslado do corpo é Alexandre Pato, um jogador de futebol, não o governo brasileiro. O governo que envia jatos para aliados sujos de lama, mas abandona seus próprios cidadãos num penhasco. Literalmente.
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