
Campina Grande, na Paraíba, por décadas consagrada como a “Capital do Forró”, vive uma realidade incômoda: seu trono como sede do maior São João do mundo está, pela primeira vez, seriamente ameaçado. E o maior concorrente vem do Ceará. Maracanaú entrou no páreo com força total, e o que antes parecia ousadia hoje ganha corpo e argumentos sólidos.
A cidade cearense não quer apenas crescer: quer liderar. E está fazendo isso com uma combinação inteligente de tradição cultural, modernização de serviços, preocupação social e um toque de inovação que tem conquistado visitantes e especialistas.
Em 2025, o São João de Maracanaú celebra 20 anos de existência, e escolheu marcar a data com inclusão, acessibilidade e respeito à diversidade. O investimento vai além dos grandes shows ou do apelo turístico. Está nos detalhes que humanizam o evento.
Um dos destaques é a adoção dos tuk-tuks elétricos, que circulam gratuitamente pela cidade cenográfica e facilitam a mobilidade de idosos, cadeirantes, gestantes e pessoas com dificuldade de locomoção. Raras vezes um evento popular demonstrou tanta atenção com o público que costuma ser invisibilizado em grandes festas.
O local do evento - o Parque de Eventos Narciso Pessoa de Araújo - também foi adaptado com rampas de acesso, faixas exclusivas, áreas reservadas e banheiros acessíveis. E para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi criado o espaço sensorial “Estação das Cores”, com estímulos visuais e auditivos controlados.
Outro ponto de destaque é a parceria com a APAE de Maracanaú, que permitiu a inclusão de jovens com síndrome de Down no quadro de funcionários do evento. Trabalho digno, com propósito e integração social verdadeira.
Este ano, o São João de Maracanaú presta homenagem às outras grandes potências juninas do país: Caruaru (PE), Mossoró (RN) e Campina Grande (PB). A cidade não nega o valor dos gigantes nordestinos - mas quer provar que também pode ser referência.
A cenografia de 2025 destaca os pontos turísticos, símbolos culturais e a riqueza do Ceará, com o tema “No Ceará é Assim”, apostando na identidade local para se firmar nacionalmente.
Sim. Maracanaú está fazendo o “dever de casa” que muitos grandes eventos abandonaram com o tempo: cuidar do público. Não apenas entretê-lo. O São João da cidade cearense virou modelo de acolhimento, de empatia e de modernização - sem perder a raiz popular.
Enquanto Campina Grande mantém sua tradição, o desafio é entender que tradição por si só não garante liderança. O São João do futuro pede mais do que sanfona e fogueira: exige planejamento, estrutura e respeito às novas demandas da sociedade.
Se o título de "Maior São João do Planeta" deve ser definido apenas pelo número de dias, pela quantidade de shows ou pelo volume de recursos investidos, é um critério. Mas se a qualidade da experiência para todos os públicos, o acolhimento, a organização e a inovação forem levados em conta, Maracanaú está virando o jogo.
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