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Como Irã e Rússia driblam sanções do ocidente

Com o petróleo iraniano chegando disfarçado à China e a Rússia mantendo crescimento econômico, o impacto das sanções é questionável.

23/08/2024 às 10h56 Atualizada em 23/08/2024 às 11h52
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução.
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Apesar das sanções impostas à indústria petrolífera iraniana, Teerã tem conseguido exportar volumes recordes de petróleo para a China. Segundo o jornalista Javier Blas, da Bloomberg, a China afirma oficialmente não importar petróleo do Irã. No entanto, o que realmente me chama a atenção são as compras de petróleo bruto da Malásia, que superam em muito a produção deste país. Isso levanta suspeitas de que o petróleo iraniano está sendo disfarçadamente revendidos através da Malásia.

Em 2023, a Malásia se tornou o quarto maior fornecedor de petróleo para a China, atrás apenas da Arábia Saudita, Rússia e Iraque. No passado, o Irã costumava utilizar os Emirados Árabes Unidos, especialmente Dubai, como ponto de entrada para bens embargados. Parece que o petróleo agora está seguindo um novo caminho. Da mesma forma, a Rússia, enfrentando sanções devido à guerra na Ucrânia, adotou estratégias semelhantes ao usar as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central para contornar os embargos ocidentais.

Embora as sanções ocidentais visem a economia russa, os efeitos têm sido mais limitados do que o esperado. A economia da Rússia cresceu 3,6% em 2023, e as previsões para 2024 indicam uma taxa de crescimento semelhante. Esse crescimento é em parte impulsionado pelos elevados gastos relacionados à guerra na Ucrânia e pelas exportações de petróleo. Mesmo com mais de 5 mil sanções, a economia russa tem se mostrado resiliente, desafiando as expectativas de colapso.

Mesmo com a exclusão do sistema Swift e o bloqueio das reservas russas nos países do G7, a Rússia continua operando economicamente, graças a países que não aderiram às sanções, como Índia, China e Brasil. Esses países continuam a negociar com Moscou, o que me leva a questionar a eficácia das sanções unilaterais impostas pelos EUA e pela União Europeia.

A pressão sobre a Rússia pode intensificar-se se os Estados Unidos seguirem com o plano de sancionar os bancos chineses, com o objetivo de interromper o fluxo de financiamento que sustenta a máquina de guerra russa. Na União Europeia, estão em andamento esforços diplomáticos para garantir que as sanções sejam cumpridas de maneira mais rigorosa. Mas é claro que tanto o Irã quanto a Rússia encontraram maneiras de contornar as sanções, diminuindo seu impacto global.

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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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