
Sob Lula 3, o Brasil avança rumo a um abismo fiscal anunciado. Os números são contundentes: o crescimento das despesas federais supera em quase duas vezes o aumento da arrecadação - mesmo num cenário de recorde histórico de receitas. Enquanto o governo arrecada, também escoa dinheiro em velocidade ainda maior. Segundo dados da Instituição Fiscal Independente (IFI), as despesas do governo federal saltaram R$ 344 bilhões desde 2023, enquanto a receita líquida cresceu R$ 191 bilhões. A conta não fecha - e pode levar à paralisação da máquina pública em 2027.
Não é a oposição que diz. É projeção oficial. O chamado “shutdown” já foi alertado no próprio Anexo IV da LDO de 2026. Trata-se de um colapso das despesas discricionárias, ou seja, aquelas que mantêm os órgãos públicos funcionando: de gasolina para viaturas a papel para escolas, de telefone da Receita Federal à energia do Ibama.
Desde a revogação do teto de gastos, o governo federal retomou a vinculação automática da receita com saúde (15%) e educação (18%). O resultado foi o crescimento compulsório dessas despesas à medida que a arrecadação sobe. Mas não parou aí. A política de aumento real do salário mínimo, outro pilar do petismo, teve forte impacto na Previdência. Em dois anos, o gasto com benefícios saltou de R$ 912 bilhões para R$ 1,05 trilhão.
Programas como o BPC também explodiram. Saltaram de 5,1 para 6,3 milhões de beneficiários. Emendas parlamentares bateram recordes: R$ 50,4 bilhões em 2024 - quase o dobro de cinco anos atrás.
Para mascarar os efeitos sobre o arcabouço fiscal, o governo recorre a manobras contábeis, classificando gastos como “financeiros”, fora do limite primário. É o caso do uso do Fundo Social do petróleo para turbinar programas como o Minha Casa Minha Vida e o PAC Social. O BNDES também voltou a ser irrigado com bilhões. São R$ 74 bilhões em 2024, contra R$ 25 bilhões em 2023.
Mesmo com recordes de arrecadação, o déficit primário previsto para 2025 é de 0,77% do PIB. E o impacto disso vai direto na dívida pública. A IFI estima que a dívida bruta saltará 12 pontos percentuais do PIB até o fim de 2026, tornando o Brasil mais vulnerável e pressionando juros e inflação.
Para conter o rombo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, propôs aumento de IOF, taxação de apostas, de fundos exclusivos, de motoristas de aplicativo, até das blusinhas Shein, com a "taxinha do amor". Nada é suficiente. Como disse o economista Alexandre Manoel, “chegamos ao limite da arrecadação sem reformas profundas”. O governo tenta conter a sangria com “band-aids fiscais”, mas a hemorragia segue.
Especialistas como Marcus Pestana (IFI) e Marcos Mendes (colunista da Folha) alertam que, com o atual modelo, o país precisará de um choque fiscal em 2027. Mudanças nas vinculações obrigatórias e no reajuste do salário mínimo serão inevitáveis. O cenário eleitoral de 2026 deve inibir qualquer medida impopular - o que só adia o problema.
Nesse ritmo, o país caminha para um “apagão do Estado”. O ciclo de crescimento sem responsabilidade, típico dos períodos populistas, cobra caro. O colapso não será ideológico - será contábil. E cruel. Afinal, como já disse o próprio Lula em tom de ironia: “Nunca antes na história deste país se gastou tanto”.
E é justamente isso que está levando o Brasil ao limite.
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