Segunda, 13 de Julho de 2026
22°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Brasil AGÊNCIA BRASIL

O Brasil tem lado - e não é o da Democracia

A Agência Brasil escancara a política externa do governo Lula 3 ao relativizar o programa nuclear do Irã e sugerir equivalência entre a única democracia do Oriente Médio e um regime teocrático que ameaça apagar Israel do mapa

20/06/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
O Brasil não é neutro. Está escolhendo lados - e não é o da democracia. - Imagem: Reprodução
O Brasil não é neutro. Está escolhendo lados - e não é o da democracia. - Imagem: Reprodução

A máscara caiu. E não há mais espaço para dúvidas: o governo brasileiro, por meio da sua política externa, assumiu um lado claro e inquietante no conflito entre Israel e o Irã. E não é o lado da democracia, da liberdade ou dos direitos humanos - é o lado dos aiatolás.

Sim, o Brasil, sob Lula 3, resolveu não apenas flertar com o autoritarismo islâmico iraniano, mas estender-lhe a mão com afeto diplomático. E isso foi feito da maneira mais oficial possível: por meio da Agência Brasil, a estatal de comunicação do governo federal.

Nesta quinta-feira, 19, a Agência Brasil publicou um conteúdo estarrecedor, intitulado “Conheça o programa secreto de Israel que pode ter 90 bombas atômicas”. Em vez de alertar para o risco de uma teocracia fundamentalista como o Irã se tornar uma potência nuclear, o texto faz exatamente o oposto: relativiza a ameaça iraniana e mira sua artilharia na única democracia do Oriente Médio - Israel.

Como se não bastasse, outro artigo da mesma agência trata o Irã como o “líder do eixo de resistência islâmica”, colocando no mesmo patamar moral o país que apoia organizações terroristas como Hamas, Hezbollah e houthis com uma nação que vive sob regime democrático, com eleições livres e imprensa plural.

E o que está por trás disso?

A pergunta é inevitável: o que o Brasil ganha ao apoiar Teerã, um regime que nega o Holocausto, oprime mulheres, prende dissidentes e declara publicamente que deseja “riscar Israel do mapa”? O que há de “resistência” nisso?

A resposta é desconcertante: ideologia cega, revanchismo geopolítico e uma diplomacia movida por ressentimentos antiocidentais. Lula quer se colocar como contraponto à hegemonia das potências ocidentais - ainda que para isso seja preciso passar pano para ditadores e regimes fundamentalistas.

O que a Agência Brasil não diz - ou convenientemente omite - é que Israel age em defesa própria. Os ataques realizados recentemente foram direcionados a instalações militares ligadas ao programa nuclear iraniano. A ofensiva israelense visa impedir que o Irã concretize seu sonho: entrar para o seleto (e perigoso) clube das nações com ogivas nucleares.

E não é um sonho qualquer. É um plano com objetivo definido: eliminar Israel. Literalmente. Isso está nos discursos oficiais de líderes iranianos, em suas doutrinas militares e até em suas ações indiretas via grupos terroristas.

Israel resiste - e o Brasil condena

Enquanto Israel tenta sobreviver num mar de inimigos armados até os dentes e financiados por Teerã, o governo brasileiro finge neutralidade. Mas age com parcialidade. Faz pose de pacificador, mas endossa um lado. Demoniza Israel por se defender, mas ignora as agressões do outro lado.

A retórica que sai de Brasília (e da sua imprensa oficial) parece mais preocupada em desconstruir a imagem de Israel do que em denunciar as ameaças concretas do Irã ao mundo. E isso coloca o Brasil numa posição geopolítica incômoda: a de aliado dos aliados do terror.

Caminho perigoso

Ao endossar o discurso iraniano, ainda que por omissão ou relativismo, o Brasil se distancia dos valores que historicamente defendeu na diplomacia internacional: paz, equilíbrio, defesa da vida. Não se constrói paz ao lado de quem declara guerra existencial.

O que está em jogo não é só a posição do Brasil no xadrez geopolítico. É a própria coerência ética da política externa brasileira. O apoio tácito a regimes como o do Irã - seja por meio de textos enviesados, seja por alinhamentos diplomáticos escancarados - empurra o país para um lado sombrio da história.

E no final, o que restará será a conta: diplomática, econômica e moral.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários