
A máscara caiu. E não há mais espaço para dúvidas: o governo brasileiro, por meio da sua política externa, assumiu um lado claro e inquietante no conflito entre Israel e o Irã. E não é o lado da democracia, da liberdade ou dos direitos humanos - é o lado dos aiatolás.
Sim, o Brasil, sob Lula 3, resolveu não apenas flertar com o autoritarismo islâmico iraniano, mas estender-lhe a mão com afeto diplomático. E isso foi feito da maneira mais oficial possível: por meio da Agência Brasil, a estatal de comunicação do governo federal.
Nesta quinta-feira, 19, a Agência Brasil publicou um conteúdo estarrecedor, intitulado “Conheça o programa secreto de Israel que pode ter 90 bombas atômicas”. Em vez de alertar para o risco de uma teocracia fundamentalista como o Irã se tornar uma potência nuclear, o texto faz exatamente o oposto: relativiza a ameaça iraniana e mira sua artilharia na única democracia do Oriente Médio - Israel.
Como se não bastasse, outro artigo da mesma agência trata o Irã como o “líder do eixo de resistência islâmica”, colocando no mesmo patamar moral o país que apoia organizações terroristas como Hamas, Hezbollah e houthis com uma nação que vive sob regime democrático, com eleições livres e imprensa plural.
E o que está por trás disso?
A pergunta é inevitável: o que o Brasil ganha ao apoiar Teerã, um regime que nega o Holocausto, oprime mulheres, prende dissidentes e declara publicamente que deseja “riscar Israel do mapa”? O que há de “resistência” nisso?
A resposta é desconcertante: ideologia cega, revanchismo geopolítico e uma diplomacia movida por ressentimentos antiocidentais. Lula quer se colocar como contraponto à hegemonia das potências ocidentais - ainda que para isso seja preciso passar pano para ditadores e regimes fundamentalistas.
O que a Agência Brasil não diz - ou convenientemente omite - é que Israel age em defesa própria. Os ataques realizados recentemente foram direcionados a instalações militares ligadas ao programa nuclear iraniano. A ofensiva israelense visa impedir que o Irã concretize seu sonho: entrar para o seleto (e perigoso) clube das nações com ogivas nucleares.
E não é um sonho qualquer. É um plano com objetivo definido: eliminar Israel. Literalmente. Isso está nos discursos oficiais de líderes iranianos, em suas doutrinas militares e até em suas ações indiretas via grupos terroristas.
Israel resiste - e o Brasil condena
Enquanto Israel tenta sobreviver num mar de inimigos armados até os dentes e financiados por Teerã, o governo brasileiro finge neutralidade. Mas age com parcialidade. Faz pose de pacificador, mas endossa um lado. Demoniza Israel por se defender, mas ignora as agressões do outro lado.
A retórica que sai de Brasília (e da sua imprensa oficial) parece mais preocupada em desconstruir a imagem de Israel do que em denunciar as ameaças concretas do Irã ao mundo. E isso coloca o Brasil numa posição geopolítica incômoda: a de aliado dos aliados do terror.
Caminho perigoso
Ao endossar o discurso iraniano, ainda que por omissão ou relativismo, o Brasil se distancia dos valores que historicamente defendeu na diplomacia internacional: paz, equilíbrio, defesa da vida. Não se constrói paz ao lado de quem declara guerra existencial.
O que está em jogo não é só a posição do Brasil no xadrez geopolítico. É a própria coerência ética da política externa brasileira. O apoio tácito a regimes como o do Irã - seja por meio de textos enviesados, seja por alinhamentos diplomáticos escancarados - empurra o país para um lado sombrio da história.
E no final, o que restará será a conta: diplomática, econômica e moral.
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