
Que o Piauí possui um grande potencial mineral, isso já não é novidade. A cidade de Piripiri, no Norte do Estado, abriga uma mina de ferro operada pela empresa Lion Mining, que já realiza extrações mesmo que em fase inicial. O minério, porém, não é exportado pelo litoral piauiense, como seria natural. Em vez disso, segue em caminhões até o Porto do Pecém, no Ceará, a mais de 400 km de distância. O motivo é simples: o Piauí ainda não possui um porto operacional.
O chamado Porto Piauí, prometido para dezembro de 2023, não foi entregue conforme o anunciado. A estrutura inaugurada ainda não comporta navios - muito menos os navios graneleiros exigidos para transportar minérios como ferro ou grãos. Falta quase tudo: píer, calado adequado, equipamentos de carga e descarga. Ainda não há previsão concreta de conclusão da estrutura e, tampouco, clareza sobre os custos finais ou fontes de financiamento.
Mesmo assim, uma simulação de logística foi realizada. Nos dias 6 e 7 de junho, três carretas com 50 toneladas cada de minério de ferro percorreram o trajeto entre a Lion Mining, em Piripiri, e o município de Luís Correia, no litoral, onde o governo promete erguer o Porto Piauí. O objetivo da simulação foi identificar gargalos viários e planejar intervenções para garantir que, um dia, quando o porto estiver pronto, o escoamento ocorra com segurança e eficiência.
A operação foi feita em dois dias distintos - sexta e sábado - para avaliar o comportamento do tráfego em diferentes cenários. Com o apoio da PRF, DNIT, DER, Investe Piauí e prefeituras locais, foram monitorados pontos críticos como curvas perigosas, trechos urbanos sensíveis e trechos que exigem sinalização e correções no traçado.
O diretor da Companhia Porto Piauí, Fábio Freitas, afirmou:
“Essa operação nos dá uma visão realista do que precisa ser feito para garantir um escoamento eficiente e seguro. É um ensaio do futuro”.
Ensaio esse que depende, principalmente, da existência do porto. Sem um terminal apto a receber navios, todo o planejamento logístico pode cair no vazio. E o risco é que os gargalos mapeados hoje, sejam irrelevantes quando - e se - o Porto Piauí finalmente entrar em operação, o que pode levar anos, ou mesmo décadas, caso haja paralisações, falta de recursos ou escândalos de corrupção e judicialização.
A expectativa oficial, contudo, é otimista. O presidente da Porto Piauí, Raimundo Dias, disse:
“Logo, logo o minério de ferro extraído em Piripiri passará a ser exportado por Luís Correia. Estamos diante de uma mudança histórica”.
A expressão "logo, logo" é uma locução adverbial que transmite a ideia de que algo ocorrerá em breve, daqui a pouco ou num futuro próximo. Ela é usada para indicar que o tempo de espera será curto até que determinada ação ou evento se realize. Mas, e para o governo Rafael Fonteles, o que significa esse "logo, logo"? Será ainda neste governo? No próximo? Ou em 10, 20 ou 30 anos?
Até lá, a produção de minério de ferro continuará seguindo pelo Ceará, e o Piauí seguirá como um Estado produtor, mas não exportador. Enquanto não houver infraestrutura portuária efetiva, toda simulação será apenas isso: um teste para um futuro ainda indefinido.
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