
O Brasil perdeu seis posições no “The Democracy Index 2024” e agora ocupa o 57º lugar entre 165 países e dois territórios analisados. O estudo, realizado pela The Economist Intelligence Unit, avalia cinco critérios: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis. Entre os países da América do Sul, o Brasil ficou atrás de vizinhos como Uruguai, Argentina e Suriname.
Segundo o levantamento, a crescente polarização política e o embate do Supremo Tribunal Federal com as big techs tiveram influência direta no resultado. Desde 2019, o STF tem conduzido investigações polêmicas envolvendo desinformação e ataques às instituições democráticas, incluindo decisões que restringiram o acesso a redes sociais, como o bloqueio temporário do X (antigo Twitter) em 2024. A medida foi criticada pelo estudo como uma restrição sem precedentes entre democracias.
O relatório aponta ainda que 80% dos brasileiros percebem um nível elevado de conflito político no país, o que tem levado à politização das instituições e ao aumento da violência política. Além disso, destaca que decisões judiciais recentes abrem precedentes que podem comprometer a liberdade de expressão. Dados do Latinobarômetro de 2023 mostram que quase 64% da população acredita ter pouca ou nenhuma garantia de liberdade de discurso no Brasil.
Globalmente, a Noruega lidera o ranking como o país mais democrático, seguida por Nova Zelândia e Suécia. No extremo oposto, o Afeganistão é classificado como o regime mais autoritário, acompanhado por Mianmar e Coreia do Norte. Na América do Sul, apenas a Venezuela figura na categoria de regime autoritário.
Confira o estudo completo (em inglês):
Clique aqui para ver o documento "the-economist-democracia-.pdf"
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