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Caçada ao bolsonarismo: PF prende Gilson Machado sob acusação de ajudar Cid a fugir

Ex-ministro de Bolsonaro é alvo de nova ofensiva da Polícia Federal, acusado de tentar agilizar passaporte português para Mauro Cid. Prisão é vista por aliados como mais um capítulo da perseguição judicial ao entorno do ex-presidente

13/06/2025 às 12h18
Por: Douglas Ferreira
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Gilson Machado nega as acusações - Foto: Reprodução
Gilson Machado nega as acusações - Foto: Reprodução

.O ex-ministro do Turismo do governo Bolsonaro, Gilson Machado, foi preso nesta sexta-feira (13), no Recife, pela Polícia Federal. A prisão, que ocorre sem flagrante e com base em um inquérito ainda em construção, mira suposta atuação do ex-ministro para facilitar a saída do tenente-coronel Mauro Cid do Brasil. A justificativa: Gilson teria tentado interceder junto ao Consulado de Portugal para acelerar a emissão de um passaporte europeu para Cid, investigado no inquérito do "golpe de Estado" conduzido pelo STF.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, que solicitou a prisão, Machado teria feito contato com o consulado português em 12 de maio de 2025, com objetivo de garantir o documento a Cid, que é neto de cidadão português e, portanto, tem direito à nacionalidade europeia. Isso, por si só, não configura crime. A acusação central, no entanto, está na suposta intenção de viabilizar uma fuga.

A movimentação de Gilson, por mais questionável que pareça à narrativa oficial, não envolveu falsificações, subornos ou atos ilegais comprovados — apenas uma tentativa de “agilizar” algo que era direito adquirido do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Ainda assim, a Polícia Federal tratou o gesto como peça de uma conspiração para burlar a Justiça brasileira. O contexto? Um ambiente de desconfiança institucional e um clima cada vez mais politizado nas ações policiais.

Gilson Machado, que na véspera da prisão estava com o ex-presidente Jair Bolsonaro em agendas políticas no Nordeste, retornou ao Recife de carro na noite de quinta-feira (12), e foi surpreendido com a ordem de prisão já na manhã seguinte. A ação gerou revolta entre aliados, que apontam uso político da PF e do Ministério Público para desmantelar o núcleo duro do bolsonarismo por vias judiciais.

E o que pesa contra Gilson, afinal?
Até o momento, apenas suposições, conversas de bastidores e interpretações da polícia. Não há flagrante, nem provas definitivas de que o ex-ministro tenha tramado uma fuga de Mauro Cid. O tenente-coronel, inclusive, já havia dado entrada em seu pedido de nacionalidade portuguesa em janeiro de 2023, após o fim do governo Bolsonaro — muito antes das alegações atuais.

Mauro Cid, por sua vez, continua no centro das investigações. Já foi preso, solto, virou delator, e agora pode ter seu acordo revisto por mentir em depoimento ao STF. Mesmo assim, a Justiça insiste em prendê-lo novamente, como se ainda houvesse algo novo a extrair de um homem já desgastado, contraditório e visivelmente pressionado por todos os lados.

A pergunta que não quer calar: se Gilson Machado ajudou um cidadão com direito à dupla nacionalidade a pedir um passaporte legal, isso é crime? Ou estamos diante de mais um ato de espetacularização política e jurídica para alimentar a narrativa de um "golpe" que nunca se concretizou?

Enquanto a mídia aliada ao sistema vibra com as manchetes, setores do país enxergam uma operação de guerra contra o bolsonarismo. Não uma guerra contra o crime, mas uma batalha de narrativas onde a perseguição vale mais do que a verdade, e a criminalização de aliados é mais eficaz que qualquer processo eleitoral.

No fim das contas, o que parece mesmo incomodar é o fato de Gilson Machado ainda andar ao lado de Bolsonaro. E isso, no Brasil atual, tem sido suficiente para algemas e holofotes.

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