
Dizer que o ministro, Fernando Haddad, é ignorante em economia por não ser economista de formação é um erro raso, simplista e, acima de tudo, injusto. Haddad não é um desinformado. Ele não tropeça porque não entende os conceitos. Na verdade, seu fracasso recorrente à frente do Ministério da Fazenda tem outra explicação - e bem mais séria: ele trabalha para um governo que não quer, não pode e não vai parar de gastar.
Essa é a realidade: o governo Lula é estruturalmente perdulário. Gasta como se o dinheiro brotasse, como se não houvesse amanhã. E o pior: gasta com a convicção de que está fazendo a coisa certa. Para o presidente, não há excesso de gastos; há necessidade. Para Lula, “governo não gasta demais, gasta o suficiente”. A crença pessoal de Lula virou doutrina econômica: a negação do óbvio.
E é exatamente isso que torna Haddad ineficaz. Não por burrice - mas porque está preso a uma lógica política que desdenha do controle fiscal. Cortar gastos está fora da mesa. Não há espaço para ajustes sérios ou contenção da máquina pública. O único caminho que resta ao ministro é o da criação de novos impostos, do aumento de alíquotas, da taxação - o que só agrava a situação do contribuinte.
Não se trata, portanto, de incompetência técnica. É uma escolha política. E uma escolha desastrosa.
Essa avaliação não vem apenas da oposição. Economistas e especialistas respeitados do país inteiro têm sido unânimes ao criticar a política fiscal do governo Lula. O economista Igor Lucena, por exemplo, classificou como “ainda pior” a nova proposta de Haddad para aumentar impostos e cobrir rombos fiscais. Segundo ele, “a solução do IOF já era ruim para cobrir um buraco de R$20 bilhões. E a nova proposta é ainda pior”. Lucena afirma que o governo foge da saída técnica - cortar despesas - e opta por taxar ainda mais, usando o discurso fácil da “justiça social”.
Marcello Marin, mestre em governança corporativa, também lamenta o foco no curto prazo e a falta de medidas estruturais. Já André Galhardo, outro economista ouvido pela coluna Cláudio Humberto, afirmou que o aumento do IOF é “inoportuno” e não resolve nada.
E não resolve mesmo. Porque o problema não está no ministro - está no governo. Haddad pode ter um doutorado, pode ter os melhores técnicos ao seu redor, pode montar a equipe mais capacitada do país. Mas, se o presidente da República acredita que o Brasil está subfinanciado e não excessivamente onerado, nada disso importa.
Para Lula, quem está errado são os economistas, os técnicos, os analistas, os empresários, os bispos, os pais de santo e a torcida do Flamengo. Só ele e Haddad estão certos. Só eles compreendem a verdade iluminada sobre os gastos públicos. O resto é “neoliberalismo” ou “fobia do Estado”.
Moral da história: não é uma crise de conhecimento. É uma crise de prioridades. E quem paga a conta os empresariado, o setor produtico - é o cidadão - que já sente no bolso o peso de mais tributos e no horizonte a ausência de crescimento, de confiança e de rumo.
Enquanto o governo não reconhecer que a solução passa por cortar despesas e não por sangrar ainda mais a sociedade e quem produz riqueza, Haddad continuará tropeçando. Não por ignorância, mas por lealdade a um projeto que insiste em ignorar a matemática.
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