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Moody’s rebaixa perspectiva da nota de crédito do Brasil e alerta para desafios fiscais

Agência mantém rating Ba1, mas destaca alta inflação, gastos públicos rígidos e aumento da dívida como fatores de risco

02/06/2025 às 08h03 Atualizada em 02/06/2025 às 17h41
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de “positiva” para “estável”, mantendo o rating em Ba1. Em outubro de 2024, a Moody’s havia elevado a nota do país de Ba2 para Ba1, deixando o Brasil próximo do grau de investimento. No entanto, dois meses após essa elevação, o país enfrentou um “pânico fiscal”, com alta do dólar e críticas à decisão da agência, que agora revisa suas projeções diante de uma piora nas condições econômicas.

O principal motivo para o rebaixamento da perspectiva é a deterioração da capacidade de pagamento da dívida pública, pressionada pela inflação alta e pela adoção de política monetária mais restritiva pelo Banco Central. Nos últimos 12 meses, o setor público brasileiro acumulou um déficit nominal de R$ 934,4 bilhões, enquanto as estatais registraram o maior rombo da história no primeiro quadrimestre de 2025. A Moody’s ainda aponta rigidez nos gastos públicos, alta dos custos de financiamento e aumento da sensibilidade do governo à volatilidade dos juros como fatores que limitam a recuperação fiscal.

Apesar dos riscos, a agência manteve o rating Ba1 devido ao crescimento sólido e diversificado da economia brasileira. No comunicado oficial, o Ministério da Fazenda reafirmou o compromisso com a melhoria dos resultados fiscais e o avanço das reformas estruturais, destacando o trabalho conjunto entre Executivo e Congresso para garantir o equilíbrio das contas públicas e o crescimento de longo prazo.

A recente elevação da nota em 2024 gerou controvérsia, com especialistas criticando a decisão como precipitada diante das incertezas fiscais e dos déficits previstos até 2027. A decisão da Moody’s, que ocorreu logo após uma visita do presidente Lula a agências de risco em Nova York, foi vista por alguns analistas como baseada em expectativas otimistas, contrariando a avaliação cautelosa do mercado financeiro.

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