
O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), incluído no pacote fiscal anunciado no fim de maio pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reacendeu críticas à política arrecadatória da gestão petista. Além de congelar R$ 31,3 bilhões do orçamento, a nova medida reforçou a imagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como “Taxad” nas redes sociais, em referência à elevada carga tributária imposta aos contribuintes.
Desde o início do atual mandato, o governo federal já anunciou 24 medidas de criação ou aumento de tributos — uma média de um novo imposto a cada 37 dias. Embora algumas propostas tenham sido temporárias ou ainda estejam em tramitação no Congresso, a maioria já está em vigor e tem contribuído para o aumento da carga tributária, que alcançou níveis recordes na história do país.
Especialistas avaliam que o foco na arrecadação tem gerado efeitos colaterais. Segundo João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), apesar dos esforços pela simplificação e progressividade, o peso dos tributos sobre o consumo continua alto e recebe críticas constantes. Já o tributarista Luís Garcia, do Tax Group, alerta que os aumentos emergenciais criam insegurança jurídica e afastam investimentos, alimentando um ciclo negativo para a economia.
Além das medidas já implementadas, o governo Lula também pretende avançar na taxação das big techs — como Meta, Alphabet, Microsoft, Amazon, Apple e Netflix. A proposta está em discussão desde 2023, mas ainda não foi formalizada, mantendo em aberto o impacto que poderá ter sobre o setor e os consumidores.
As medidas anunciadas desde 1.º de janeiro de 2023 foram as seguintes:
Reversão de alíquotas de PIS/Cofins sobre receitas financeiras de grandes empresas
PIS, Cofins e Cide voltaram a incidir sobre gasolina e etanol
Criação de imposto sobre exportação de petróleo
ICMS foi retirado da base de cálculo de créditos de PIS/Cofins
Taxação de apostas esportivas eletrônicas (bets)
Criação de imposto sobre importações de e-commerce
Elevação de IPI para armas de fogo
Aumento do imposto de importação de painéis solares
Fim da isenção para importação de veículos elétricos
IRPJ e CSLL voltam a incidir sobre benefícios fiscais
Limite ao uso de Juros sobre Capital Próprio
“Come-cotas” sobre fundos exclusivos
Tributação de rendimentos no exterior (offshores)
Volta do PIS e Cofins sobre diesel e biodiesel
Extensão da “taxa das blusinhas” para compras abaixo de US$ 50
Retorno do DPVAT e revogação após negociação com o Congresso
IVA estimado em 28%, com trava de 26,5
Criação do “imposto do pecado”
Criação de imposto sobre altas rendas e taxação de dividendos
Imposto mínimo de 15% sobre lucros de multinacionais
Aumento para 25% do imposto de importação de aço e ferro
Reoneração da folha de pagamento de municípios e de setores econômicos
Fim do Perse
Aumento do IOF
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