
O que pareceu mais um tropeço do governo Lula 3 no cenário fiscal pode, na verdade, ter sido uma jogada ensaiada. O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras - IOF, anunciado de forma sorrateira e “revogado” horas depois, foi vendido pela grande mídia como uma derrota do governo. Só que não. O verdadeiro truque foi fazer você acreditar que o governo recuou, quando na realidade, ele triplicou o IOF, garantindo uma arrecadação extra de R$ 61,5 bilhões.
E o mais preocupante: tudo isso foi feito com uma frieza política digna de manual, num governo que, ao menos na aparência, parece perdido, cambaleando entre improvisos fiscais e populismo orçamentário. Mas será mesmo desorganização? Ou estamos diante de um cinismo bem calculado?
Vamos aos fatos. A medida provisória que escancarou a sede arrecadatória do governo veio embutida com um “jabuti” - expressão popular usada em Brasília para designar temas escondidos em textos legislativos. O foco era o IOF, mas o texto falava de fundos de investimentos. No fim, o governo revogou apenas o trecho que tratava dos fundos, mantendo 15 dos 16 aumentos propostos. Ainda assim, o noticiário correu para dizer que o governo tinha “voltado atrás”.
A mensagem foi clara: “Erramos, ouvimos a sociedade e recuamos”. Mas o que realmente aconteceu foi o oposto. A medida continua de pé, e o aumento do IOF segue vigorando - um imposto silencioso, de baixa visibilidade pública, mas de alto impacto financeiro.
Resultado: o governo agora tem à disposição R$ 61,5 bilhões a mais para gastar, o suficiente para turbinar políticas populistas sem encarar a impopularidade de um grande aumento de impostos de forma escancarada.
Enquanto Lula se multiplica em promessas e repete discursos nostálgicos sobre o "Brasil que voltou", o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se revela uma figura cada vez mais desconectada da realidade fiscal do país. O anúncio de uma suposta “descoberta” de uma caixa preta de R$ 800 bilhões em renúncias fiscais causou espanto - ou riso amargo. Como o ministro da Fazenda não sabia disso antes? Quem está lendo o orçamento? Alguém está?
A verdade é que o governo parece - ou se esforça para parecer - desorientado. Mas o que parece amadorismo pode ser, na realidade, um disfarce estratégico para aumentar a carga tributária sem enfrentar desgaste político direto.
O Brasil não tem um problema de arrecadação. O problema está nos gastos desenfreados, no aparelhamento da máquina pública, e na total falta de compromisso com reformas estruturais. Enquanto isso, o governo busca fazer caixa a qualquer custo, sem nunca tocar na ferida principal: o tamanho do Estado.
Com esse apetite tributário, nem todo o dinheiro do mundo será suficiente. E o cidadão, claro, é quem vai continuar pagando a conta - cada vez mais alta, mais disfarçada, mais manipulada.
Depois do “golpe de mestre” do IOF, a pergunta que resta é: qual será a próxima jogada do Ministério da Fazenda? Mais um tributo escondido em medida provisória? Uma nova maquiagem contábil? Ou quem sabe, mais uma renúncia fiscal “descoberta” para justificar cortes seletivos?
O governo Lula 3, ao que tudo indica, não está perdido. Está jogando um jogo perigoso: o da manipulação da opinião pública, da enganação fiscal e do cinismo político.
E se você achava que o governo recuou, então a estratégia funcionou perfeitamente. Porque, no final das contas, você está sendo enganado - e pagando por isso.
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