
O governo Lula 3, definitivamente, não é para os fracos. A cada semana, um novo capítulo surpreendente. Ou seria assustador? No epicentro da turbulência está o Ministério da Fazenda, onde o ministro Fernando Haddad, que jurava de pé junto que não haveria aumento de impostos, entregou ao país um aumento no IOF. E se não bastasse o recuo na taxação do Pix - um programa lançado e deslançado em tempo recorde — agora surge a cereja do bolo: a descoberta de uma “caixa preta” de R$ 800 bilhões em renúncias fiscais.
Segundo o próprio Haddad, essa bomba foi encontrada no Orçamento Federal. A pergunta que não quer calar é: como um ministro da Fazenda “descobre” algo dessa magnitude só agora? Quem está cuidando das contas do país? Alguém leu o Orçamento aprovado pelo Congresso? Uma só pessoa? Qualquer estagiário da pasta, talvez?
Todo mundo já entendeu que Haddad não é um economista nato - e nem se esforça muito para parecer um. Mas o que espanta mesmo é a fragilidade da assessoria técnica ao seu redor. Uma “caixa preta” de R$ 800 bilhões não passa despercebida num país onde cada centavo de renúncia fiscal impacta diretamente em serviços, investimentos e equilíbrio das contas públicas.
Renúncias fiscais podem até ser necessárias em alguns setores, mas quando somam quase um trilhão de reais e ainda são tratadas como surpresa, algo está profundamente errado. E não é só no Ministério da Fazenda.
No evento promovido pelo BNDES, Haddad aproveitou para rasgar elogios ao presidente Lula e ao presidente do banco, Aloizio Mercadante, exaltando o “renascimento” da indústria brasileira. Segundo ele, o PAC foi retomado, a infraestrutura está sendo reconstruída, e o Brasil “voltou a ter obras”. Rodovias, ferrovias, aeroportos - tudo agora estaria nos trilhos.
Resta saber: com qual dinheiro? Com quais prioridades? E com quais garantias de transparência e eficácia?
Haddad também abordou a educação, outra área que, segundo ele, foi “endereçada” nos mandatos anteriores de Lula. Graças a políticas de acesso ao ensino superior, o pobre pôde sonhar com o diploma. Mas aqui também cabe perguntar: como falar em avanço na educação sem enfrentar a crise atual do ensino básico, do analfabetismo funcional e do abandono escolar?
A sensação é de que o governo está mais perdido do que cego em tiroteio, tropeçando em suas próprias contradições. De um lado, discursa-se sobre responsabilidade fiscal. Do outro, aumentam-se impostos, criam-se taxas, e agora se tropeça em uma renúncia bilionária que deveria estar no radar desde o primeiro dia de governo.
Afinal, é uma “caixinha de surpresas” ou um container de improvisos?
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