
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressurgiu nas manchetes - e não por propostas ousadas, mas pela nova escalada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), revertida apenas após forte reação do mercado e vazamentos de bastidores. O episódio reforça a pecha de “Taxad” - apelido que gruda ao responsável pela meta de “mais tributos, menos despesas”.
Promessa descumprida: Haddad jurou categoricamente que o IOF não subiria. Em poucas horas, passou do “jamais” a anunciar taxas mais altas:
Crédito rotativo salta de 0,38% para 0,95% na operação única e de 0,0082% para 0,0137% ao dia.
Taxação de exportações financeiras, como remessas para investimentos, chegou a 3,5% - mas foi recuada diante da turbulência.
Vazamentos e recuos: Parte do anúncio vazou antes da coletiva, gerando pânico em bolsas (Ibovespa caiu 0,44%) e câmbio (dólar subiu 0,32%). Horas depois, o Palácio revogou a cobrança sobre fundos externos e remessas de pessoas físicas.
Empresas do Simples Nacional: Sofrem proporcionalmente mais, pois dependem de crédito rotativo.
Classe média e viajantes: Encargos de câmbio ficam mais caros, penalizando quem planeja intercâmbios ou turismo.
Grandes investidores e corporações: Também encaram custos operacionais maiores e revisões de fluxo de caixa.
Analistas são unânimes: medidas que aumentam imposto são paliativos sem atacar o descontrole de gastos.
“Nossa prioridade deveria ser reduzir custos estruturais do Estado e estímulo à produtividade, não tributar quem precisa de crédito”, defende Carlos Monteiro, CEO do Grupo Studio.
“A lógica de ‘arrecadar a qualquer custo’ beira o amadorismo e mina a competitividade do Brasil”, completa Júlio César Soares, tributarista.
O recrudescimento fiscal surge quando o país:
Enfrenta rombo de R$ 50 bilhões no déficit acumulado;
Tem o Banco Central liderando meta de inflação e juros mais altos;
Depende de fluxo de capitais externos que se esvai a cada nova medida incerta.
Haddad está numa sinuca de bico:
Recuar definitivamente e admitir erro de cálculo, minando a autoridade do ministério;
Persistir na alta de tributos, aprofundando o empobrecimento da classe produtiva e o descrédito no “consórcio de poder”.
O “episódio IOF” ilustra o choque entre arrecadação imediata e responsabilidade macroeconômica. Enquanto isso, o mercado e o cidadão comum questionam: até quando um governo sem plano de longo prazo recorrerá a impostos para tapar buracos? Se não houver mudança de rumo, o Brasil seguirá na deriva econômica - e Haddad, na sina de “Taxad” que, a cada imposto novo, afasta investidores e corrói a confiança pública.
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