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Economia 'CALDO DE PINTO'

TCE joga bomba na porta da Prefeitura: 65 processos podem obrigar ex-gestores de Dr. Pessoa a devolver dinheiro público

‘Caldo de pinto’ virou banquete de problemas: documentos sugerem desvios, aumentos patrimoniais inexplicáveis e malabarismos administrativos. E ainda é só o começo.

23/05/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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Os 65 processos analisados e entregues à PGM é apenas uma parcela de um montante bem maior - Foto: Reprodução
Os 65 processos analisados e entregues à PGM é apenas uma parcela de um montante bem maior - Foto: Reprodução

Quem achava que a gestão do ex-prefeito de Teresina, José Pessoa Leal - o folclórico Dr. Pessoa - ia se encerrar apenas com gafes e discursos desconexos, se enganou redondamente. O Tribunal de Contas do Estado (TCE/PI) acaba de entregar à Procuradoria Geral do Município (PGM) um dossiê de 65 processos cabeludos, recheados de indícios de irregularidades administrativas entre os anos de 2019 e 2024.

Esses processos podem resultar em Tomada de Contas Especiais - ou seja, na prática, um "me devolve esse dinheiro, cidadão" com selo oficial. E não estamos falando de trocados. O material envolve secretarias, fundações, autarquias e outras criaturas administrativas da gestão municipal, com destaque especial para pastas como Educação (13 processos), Assistência Social (10), Saúde (5) e locação de mão de obra (8) - setores onde, coincidentemente, o dinheiro público costuma evaporar com velocidade surpreendente.

Quem está no "caldo de pinto"?

A expressão popular nunca caiu tão bem: tem ex-secretário e ex-diretor que já está literalmente fervendo em caldo de pinto, tentando justificar como saíram de um salário público modesto para uma vida digna de empresário de Dubai. A suspeita que circulava nos bastidores agora tem respaldo documental: patrimônios aumentaram, contratos se multiplicaram, e a transparência... bem, essa evaporou.

Mais que suposições, os 65 processos são só a pontinha do iceberg. A Prefeitura estima que haja mais de mil ocorrências em apuração. Ou seja, o que chegou agora à PGM é só o “volume um” da saga. Tem muito mais por vir - e muito mais gente que talvez precise começar a guardar dinheiro não só para advogados, mas também para comprar Rivotril, porque a dor de cabeça está só começando.

A denúncia veio de dentro

Quem puxou a corda que está desembaraçando esse novelo foi ninguém menos que o atual presidente da Fundação Municipal de Saúde e o próprio prefeito Silvio Mendes, que têm jogado no ventilador informações sobre supostos desmandos da gestão anterior. Fala-se em mais de 3 mil processos. Os corredores do Palácio da Cidade já não sussurram mais - falam em alto e bom som que teve gente que confundiu a chave do cofre com cartão de crédito pessoal.

O que acontece agora?

Com os processos em mãos, a PGM vai poder analisar caso a caso e, se confirmado o estrago, pedir ressarcimento imediato ao erário, a famosa "viúva". E a depender da robustez das provas, também pode haver ações civis e penais - o tipo de notícia que transforma quem era "apadrinhado político" em réu num piscar de olhos.

O TCE, por sua vez, fez o dever de casa: encaminhou planilhas, destaques e recomendações detalhadas, facilitando o trabalho da PGM, que agora tem nas mãos não só a bomba, mas o manual de desarme.

Resumo da ópera?
Se teve alguém na gestão passada que achou que a farra com dinheiro público ia passar batida, é bom preparar o estômago. Porque se o "caldo de pinto" já está quente, o que vem aí pode ser mesmo é buchada de bode apimentada, servida com recibo de devolução ao Tesouro Municipal.

E lembrem-se: quem embolsou, vai ter que vomitar.

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