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Economia ECONOMIA

Inflação em alta: governo eleva projeção para 2025 e admite descumprimento da meta

Boletim Macrofiscal aponta que IPCA só deve convergir à meta a partir de 2026

20/05/2025 às 11h02 Atualizada em 21/05/2025 às 10h01
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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O Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção da inflação para 2025, elevando a estimativa do IPCA de 4,9% para 5,0%, conforme divulgado no Boletim Macrofiscal de maio, publicado na última segunda-feira (19). A nova previsão ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5% para o próximo ano. O governo reconhece que a inflação permanecerá acima do objetivo e indica que a convergência para o centro da meta deverá ocorrer de forma mais consistente a partir de 2026.

Segundo o documento, a redução da inflação tende a ser percebida de forma mais regular apenas a partir de setembro. Até lá, o cenário segue pressionado por aumentos nos preços livres e de serviços. Entre abril de 2023 e abril de 2024, a inflação acumulada foi de 5,5%, puxada por itens como tomate, leite e derivados, além de alta nos serviços (6,0%) e bens industriais (4,1%). Por outro lado, houve alívio nos preços de alimentos como arroz, feijão e óleo de soja, graças à safra recorde e à suspensão de tarifas de importação.

No campo da atividade econômica, o boletim elevou ligeiramente a projeção de crescimento do PIB para 2025, de 2,3% para 2,4%, impulsionado sobretudo pelo setor agropecuário, que deve avançar 6,3% no ano. Ainda assim, o ritmo da economia tende a perder força no segundo semestre, diante do aperto monetário e da desaceleração esperada em setores cíclicos, como o crédito e o consumo das famílias.

No aspecto fiscal, o governo admite que não conseguirá cumprir a meta de déficit primário zero. A nova estimativa aponta um rombo de R$ 72,68 bilhões em 2025, equivalente a 0,58% do PIB — acima do limite de R$ 31,07 bilhões permitido após compensações. Apesar disso, houve melhora nas projeções desde janeiro, quando o déficit estimado era de R$ 84,3 bilhões. A arrecadação federal também cresceu, e a projeção da dívida bruta caiu para 80,3% do PIB em maio, abaixo dos 82% previstos anteriormente. A Selic, por sua vez, foi mantida em 14,75%, refletindo a política monetária contracionista adotada para conter a inflação.

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