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Economia HERANÇA MALDITA

Rombo de R$ 3 Bilhões em Teresina: A dívida que ninguém quer assinar

Sílvio Mendes expõe caos nas finanças da capital, aponta herança de gestões anteriores o que levanta dúvidas sobre o silêncio de Dr. Pessoa e Firmino Filho diante do colapso anunciado

19/05/2025 às 13h38
Por: Douglas Ferreira
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Sílvio Mendes se avistou nesta manhã com o presidente do TCE, Kennedy Barros - Foto: Reprodução
Sílvio Mendes se avistou nesta manhã com o presidente do TCE, Kennedy Barros - Foto: Reprodução

A conta chegou: de quem é o rombo de R$ 3 bilhões em Teresina?

Por mais que alguns tentem suavizar a realidade, o fato é inegável: a Prefeitura de Teresina enfrenta um rombo superior a R$ 3 bilhões, e ninguém parece querer assumir, de forma clara e direta, a paternidade desse passivo escandaloso. O prefeito atual, Dr. Sílvio Mendes (União Brasil), ao menos reconhece a gravidade da situação e, diferentemente de seus antecessores, tem se exposto para discutir o problema com a sociedade, os vereadores e o Tribunal de Contas do Estado. Mas isso basta?

Na manhã desta segunda-feira (19), Sílvio se reuniu com o presidente do TCE-PI, Kennedy Barros, para apresentar os números e pedir orientação sobre como proceder diante do colapso financeiro da capital. Segundo ele, o buraco não é obra exclusiva do ex-prefeito Dr. Pessoa (MDB). A bomba-relógio, afirma Mendes, começou a ser montada bem antes - com indícios de que também teria raízes na gestão do saudoso Firmino Filho, de quem Dr. Pessoa herdou o cargo em 2021.

Mas aqui surgem perguntas que não podem mais ser evitadas:

  • Se o déficit bilionário já era visível antes de Dr. Pessoa, por que sua gestão não agiu?

  • Por que não houve auditorias independentes, nem denúncias públicas, nem alerta ao Tribunal de Contas naquela época?

  • Afinal, Dr. Pessoa foi cúmplice por omissão ou vítima de um jogo fiscal já viciado?

A resposta a essas perguntas ainda está imersa em névoas. O que se sabe é que a gestão Pessoa não apenas ignorou os sinais, como tampouco se esforçou para revertê-los ou expô-los. Não há registros de medidas concretas para transparência ativa, nem publicações que alertassem sobre a herança maldita deixada por gestões anteriores. A sociedade ficou às escuras.

E o ex-prefeito Firmino Filho, que teve quatro mandatos e morreu tragicamente em 2021, também não pode ser blindado de qualquer avaliação crítica. Sílvio Mendes - que também já comandou a cidade em duas gestões anteriores e se diz orgulhoso de ter deixado os cofres públicos em ordem - sugere que há dívidas originadas após sua saída, mas anteriores à gestão Pessoa. Se isso for confirmado, será a primeira rachadura pública na imagem administrativa que Firmino cultivou ao longo de décadas.

Ainda assim, é curioso - e até contraditório - que nenhum prefeito até hoje tenha aberto as contas com a devida transparência. A chamada "herança maldita" só costuma ser denunciada quando já não há mais como escondê-la.

Agora, Sílvio Mendes tenta reorganizar a casa. Ao menos teve o gesto político de ir à Câmara por iniciativa própria e expor os números aos vereadores. Isso, no entanto, não deve ser interpretado como heroísmo, mas como obrigação institucional. O povo de Teresina tem direito a saber o que foi feito com o seu dinheiro - e por quem.

O Tribunal de Contas promete investigar, mas o tempo da burocracia é lento. O que falta é vontade política real de virar essa página com responsabilidade. E, para isso, não basta apontar o dedo para o antecessor. É preciso que cada gestão explique, com documentos, onde errou - se errou - e por que silenciou. Porque neste momento, a única certeza é que alguém gastou muito mais do que Teresina podia pagar.

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