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Degradação da Amazônia dispara 163% em dois anos e ameaça compromissos climáticos do Brasil

Mesmo com queda no desmatamento, queimadas, seca extrema e corte seletivo impulsionam degradação florestal, elevando emissões de carbono e colocando em risco metas ambientais às vésperas da COP30 em Belém

19/05/2025 às 13h04
Por: Douglas Ferreira
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Se por um lado o desmatamento foi reduzido a degradação ambiental avança em outro flancos - Foto: Reprodução
Se por um lado o desmatamento foi reduzido a degradação ambiental avança em outro flancos - Foto: Reprodução

Brasil às vésperas da COP30: Degradação acelerada da Amazônia expõe contradições ambientais

Em um momento em que o mundo volta os olhos para o Brasil, sede da COP30, o país enfrenta uma realidade ambiental alarmante: um crescimento expressivo da degradação florestal na Amazônia, que já supera os índices de desmatamento. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 2022 a 2024, a degradação aumentou 163%, afetando mais de 25 mil km² da floresta - o equivalente ao estado de Sergipe.

Qual é a natureza dessa degradação?

Não se trata apenas de desmatamento, que de fato teve uma queda histórica (5,8 mil km² em 2024, o menor índice em 10 anos). O que preocupa agora é um “coquetel” de destruição silenciosa, envolvendo:

  • Incêndios florestais (66% da área degradada em 2024),

  • Secas extremas, com chuvas até 100 mm abaixo da média,

  • Corte seletivo de árvores,

  • Efeito de borda, que enfraquece as margens das florestas remanescentes,

  • Erosão, perda de biodiversidade e contaminação indireta dos mananciais.

Segundo o pesquisador Guilherme Mataveli (Inpe), a degradação é mais difícil de detectar porque a floresta permanece de pé, mas seus serviços ecossistêmicos - como regulação hídrica, absorção de carbono e equilíbrio do clima - são comprometidos.

Impacto climático direto

A degradação florestal já está alterando o regime hídrico da região. A estação chuvosa começou com atraso, os rios atingiram níveis mínimos históricos e as temperaturas subiram mais de 3°C. Além disso, os 140,3 mil focos de calor registrados em 2024 foram os maiores desde 2007, impulsionando ainda mais a liberação de carbono na atmosfera e agravando o aquecimento global.

O Brasil: protetor ou agressor da natureza?

O cenário é ambíguo. No discurso internacional, o Brasil reforça seu papel de líder climático e anfitrião de peso na COP30. Assumiu compromissos ambiciosos na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), com a promessa de reduzir até 67% das emissões líquidas até 2035 (base 2005).

Mas, na prática, a degradação crescente da Amazônia compromete essa imagem. Organizações ambientais e setores da comunidade internacional veem o país ora como guardião do maior bioma tropical do mundo, ora como cúmplice da destruição de seus ecossistemas mais estratégicos.

Quem olhar a imensidão da floresta amazônica assim não imagina o quanto da degradação ambiental vem destruíndo a maior floresta do planeta - Foto: Reprodução

A imagem do Brasil e o desafio da COP30

Receber a COP30 em Belém, no Pará, é uma oportunidade histórica, mas também uma responsabilidade enorme. O aumento da degradação florestal pode:

  • Desacreditar os compromissos brasileiros perante a comunidade internacional,

  • Comprometer financiamentos e parcerias ambientais externas,

  • Colocar pressão política interna sobre a fiscalização ambiental e

  • Exigir transparência e ação rápida na recuperação da floresta degradada.

Segundo Luiz Aragão, também do Inpe, “reportar as emissões associadas à degradação é um caminho sem volta”. A credibilidade do Brasil como líder climático dependerá da capacidade de resposta às pressões ambientais internas e da implementação de políticas públicas eficazes de controle e recuperação florestal.

Conclusão

A degradação da Amazônia é o novo rosto da crise ambiental brasileira - mais silenciosa, mais difícil de combater e potencialmente mais devastadora a longo prazo. Em tempos de COP30, o país precisa decidir se ocupará o papel de protagonista climático ou de omisso diante da destruição paulatina de sua maior riqueza natural. O mundo estará atento.

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