
Aos 95 anos, José Sarney (MDB) ainda acompanha de perto os bastidores políticos de Brasília. Em entrevista à revista Veja, o ex-presidente afirmou que não viu tentativa de golpe nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Para ele, o episódio foi consequência de uma “excessiva judicialização da política” e não representou uma ameaça real à democracia brasileira. Apesar de reconhecer que o sistema democrático exige vigilância constante, Sarney acredita que os militares hoje estão comprometidos com a Constituição.
Sarney também se posicionou contra o ativismo judicial e criticou a politização do Judiciário, destacando que partidos políticos têm contribuído para esse cenário ao transferirem suas responsabilidades para o Supremo Tribunal Federal (STF). “Os juízes, julgando questões políticas, evidentemente tiveram que adotar posições políticas”, avaliou. Para ele, é necessário que tanto o Judiciário quanto os partidos evitem o que chamou de “vivandeiras” que instigam crises institucionais.
Defensor de uma ampla reforma política, o ex-presidente propõe o fim do voto proporcional, a adoção do sistema distrital misto e a transição para um regime parlamentarista moderado, nos moldes franceses. Sarney condenou o uso das emendas parlamentares como instrumento de reeleição e classificou a prática como um desvirtuamento do papel do Parlamento, que deveria atuar na melhoria do Orçamento. Ele acredita que cabe ao próprio Congresso corrigir esses desvios, sem transferir o problema ao Judiciário.
Apesar de o ex-presidente Michel Temer articular uma possível candidatura alternativa, Sarney defende que o MDB apoie Lula em 2026. Ele elogiou os governos do petista e ressaltou seu compromisso com a democracia. Em relação à política externa, apoiou a aproximação com China e Rússia e alertou sobre possíveis riscos na relação com os Estados Unidos caso Donald Trump volte ao poder. “Devemos preservar a nossa independência”, concluiu.
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