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Tecnologia CIÊNCIA PURA

Por que cientistas querem jogar bolas de concreto de 400 toneladas no fundo do mar?

Entenda como esferas gigantes submersas podem armazenar energia e ajudar a salvar o planeta

19/05/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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O projeto é cientifico e perfeitamente factível - Foto: Reprodução
O projeto é cientifico e perfeitamente factível - Foto: Reprodução

A ideia pode parecer absurda à primeira vista — colocar esferas de concreto de 400 toneladas no fundo do mar — mas trata-se de um projeto real e cientificamente promissor. O sistema, chamado StEnSea (Storage of Energy in the Sea), está sendo desenvolvido na Alemanha e tem potencial para revolucionar o armazenamento de energia renovável.

Como funciona essa tecnologia?

O funcionamento das esferas submarinas é comparável ao de uma usina hidrelétrica reversível, mas adaptado ao ambiente oceânico profundo.

Passo a passo do processo:

  1. Durante o excesso de energia (por exemplo, em dias ensolarados ou com muito vento):

    • Bombas esvaziam a esfera, expulsando a água do seu interior para o mar.

    • Esse processo consome energia elétrica — que é “armazenada” como energia potencial.

  2. Quando há necessidade de energia (como à noite ou em picos de consumo):

    • Válvulas se abrem e a água do mar entra novamente nas esferas, por efeito da pressão exercida pela profundidade.

    • A água em movimento gira turbinas, que geram eletricidade e a devolvem à rede.

Qual é o princípio por trás disso?

O projeto explora dois princípios básicos da física:

  • Gravidade e pressão: Quanto mais profunda a esfera, maior a pressão da água externa — o que permite gerar mais energia ao liberar o fluxo de água para dentro da esfera.

  • Energia potencial armazenada: A energia usada para esvaziar a esfera é "guardada" na forma de potencial, e depois convertida novamente em eletricidade quando a água retorna.

Por que usar esferas de concreto?

  • Resistência: O concreto suporta bem a pressão das profundezas oceânicas, que pode chegar a 80 atmosferas a 800 metros de profundidade.

  • Durabilidade: A vida útil estimada dessas estruturas é de 60 anos.

  • Capacidade de armazenamento: Uma única esfera pode armazenar uma quantidade significativa de energia — ideal para complementar fontes intermitentes como o sol e o vento.

Quais os benefícios ambientais?

  • Zero emissões durante operação.

  • Sem resíduos tóxicos.

  • Pode ser instalado em áreas subutilizadas do oceano ou lagos profundos.

  • Ajuda a estabilizar a rede elétrica com energia limpa e confiável, mesmo quando o sol não brilha e o vento não sopra.

Onde serão instaladas?

O projeto está avançando para testes reais em locais como:

  • Long Beach, Califórnia (EUA) - com implantação prevista até 2026.

  • Outras regiões com litoral profundo: Noruega, Japão, Portugal e até Brasil são candidatos naturais para adoção da tecnologia.

Vai mesmo funcionar?

Os testes iniciais em pequena escala já comprovaram a viabilidade técnica. O maior desafio agora é viabilizar economicamente a produção e instalação em larga escala. Mas, com o aumento da demanda por energia limpa e o avanço das tecnologias marinhas, a chance de sucesso é alta.

Em resumo

  • Não é loucura: é um projeto de engenharia sustentável e promissor.

  • Armazena energia limpa de forma confiável e duradoura.

  • Aproveita a pressão do oceano para funcionar sem combustíveis fósseis.

  • Pode ajudar a combater as mudanças climáticas com inovação e ciência.

A próxima revolução da energia limpa pode vir do fundo do mar — em gigantescas bolas de concreto.

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