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Economia CONSÓRCIO CRIMINOSO

Farra do consignado no INSS: O golpe bilionário contra aposentados envolve bancos

Sindicatos, associações fantasmas, bancos e servidores públicos formaram um consórcio criminoso para fraudar empréstimos e descontos indevidos, lesando centenas de milhares de beneficiários do INSS em todo o Brasil

15/05/2025 às 11h00
Por: Douglas Ferreira
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O consórcio criminoso envolveu associações, sindicatos, bancos e servidores do INSS - Foto: Reprodução
O consórcio criminoso envolveu associações, sindicatos, bancos e servidores do INSS - Foto: Reprodução

Esse caso do consórcio criminoso entre associações, sindicatos, bancos e servidores do INSS é, de fato, um dos maiores escândalos de corrupção social já revelados no Brasil - principalmente por atingir uma das camadas mais vulneráveis da população: aposentados e pensionistas.

Abaixo, segue um resumo analítico do escândalo, com os principais pontos para facilitar o entendimento e posterior uso, inclusive para denúncias públicas, artigos, pronunciamentos ou campanhas de conscientização.

Resumo do escândalo: "farra do consignado no INSS"

O esquema criminoso

  • Envolvia associações e sindicatos falsos ou com práticas irregulares, diretores e funcionários do INSS, lobistas e bancos autorizados por Acordos de Cooperação Técnica (ACTs).

  • Utilizava duas formas principais de fraude:

    1. Descontos indevidos de mensalidades associativas sem consentimento dos aposentados.

    2. Contratos fraudulentos de empréstimo consignado, incluindo o uso de cartões de crédito consignado com reserva de margem (RMC), sem o conhecimento do beneficiário.

A Extensão das Fraudes

  • 91 bancos foram autorizados a operar crédito consignado pelo INSS nos últimos cinco anos.

  • A maior parte dos acordos foi assinada nos governos Bolsonaro (71 acordos) e Lula (pelo menos 10).

  • Entre os bancos implicados: BMG, C6 Bank, Itaú, entre outros.

  • Os bancos foram condenados em diversas ações judiciais por cobranças indevidas.

Vítimas: aposentados e pensionistas

  • Casos como o da Silvania Lameirinha, 71 anos, mostram como os aposentados foram vítimas duplas:

    • Sofreram descontos indevidos de associações (ex: AASAP).

    • Tiveram empréstimos consignados fraudulentos com cartão de crédito consignado, que sequer desbloquearam.

Impacto econômico

  • O volume anual de empréstimos consignados saltou de R$ 57 bilhões (2021) para R$ 90 bilhões (2023).

  • Só em 2023, 482 mil filiações suspeitas a entidades foram feitas próximo a contratos de consignado.

  • Estima-se que entidades criminosas movimentaram mais de R$ 110 milhões com esses golpes.

Investigações e ações

  • Operação Sem Desconto da Polícia Federal revelou o esquema.

  • Ações envolvem a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

  • O ex-diretor do INSS, André Fidelis, foi demitido e é acusado de receber R$ 5,1 milhões em propinas.

  • O lobista "Careca do INSS" também está no centro das investigações.

Bancos citados e conivência

  • C6 Bank: multado em R$ 7 milhões, foi acusado de uso de assinaturas falsas.

  • BMG: envolvido anteriormente no Mensalão, agora aparece em quebras de sigilo e contratos com empresas que receberam milhões de associações investigadas.

  • Correspondentes bancários como o Balcão das Oportunidades intermediavam fraudes e ficavam com parte dos valores descontados dos aposentados.

Reações e medidas recentes

  • O atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, determinou o bloqueio de novos descontos de empréstimos consignados a partir de 8 de maio de 2025.

  • A medida segue orientação do TCU para evitar novas fraudes.

  • As investigações ainda estão em curso, e novos desdobramentos são esperados.

Considerações finais

Esse escândalo demonstra como a fragilidade dos sistemas de controle do INSS e a ganância de certos setores bancários e associativos permitiram a exploração de pessoas idosas e vulneráveis por anos. É fundamental:

  • Apoiar a CPI do INSS (se houver articulação).

  • Pressionar por auditoria dos ACTs.

  • Defender medidas como o desbloqueio obrigatório com biometria e autenticação em dois fatores.

  • Criar mecanismos para ressarcimento automático às vítimas.

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