
A criação de uma CPMI para apurar desvios no INSS colocou o Partido dos Trabalhadores (PT) no centro das discussões. Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro acusam a legenda de ter criado as condições que facilitaram o esquema, ao enfraquecer dispositivos de controle por meio de emendas legislativas. A polêmica envolve descontos ilegais em aposentadorias e tem repercutido fortemente nas redes sociais.
Durante a tramitação da Medida Provisória 871, em 2019, o PT liderou a apresentação de emendas para flexibilizar regras propostas pelo governo Bolsonaro, que buscavam combater fraudes no INSS. A sigla tentou eliminar a exigência de revalidação anual de autorizações para descontos associativos, além de defender a manutenção do papel dos sindicatos na comprovação da atividade rural. Segundo parlamentares do partido, as mudanças evitariam prejuízos a aposentados e trabalhadores do campo.
Carlos Veras (PT-SP), irmão do presidente da Contag, foi um dos principais articuladores das alterações no Congresso. Ele agradeceu publicamente às federações sindicais e destacou o papel da esquerda nas negociações. A Controladoria-Geral da União apontou que a Contag recebeu R$ 426 milhões em 2023, valor que colocou a entidade no centro da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga repasses e possíveis fraudes.
O PT também liderou a resistência a dispositivos que retiravam poderes dos sindicatos, alegando que o governo Bolsonaro usava o discurso anticorrupção para atacar organizações sociais e cortar direitos. Mesmo com as fraudes sendo citadas repetidamente na justificativa da MP, parlamentares petistas atuaram para postergar mudanças e impedir a adoção de regras mais rígidas de fiscalização.
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