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Economia O MAL DOS TRÊS “C's”

Brasil sob desconfiança: Como o crime, a corrupção e o câmbio expulsam os investimentos

Enviado do governo Trump escancara o alerta global: investidores americanos fogem do Brasil por medo do caos institucional e da força do crime organizado

13/05/2025 às 10h00 Atualizada em 13/05/2025 às 19h35
Por: Douglas Ferreira
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Claver-Carone reduziu a situação do Brasil em três “C's”: crime, câmbio e corrupção - Foto: Reprodução
Claver-Carone reduziu a situação do Brasil em três “C's”: crime, câmbio e corrupção - Foto: Reprodução

Quem ainda acreditava que os principais problemas brasileiros - como criminalidade, corrupção e instabilidade econômica - eram meras questões internas, talvez precise rever seus conceitos. O sinal de alerta vermelho acendeu forte no exterior. Investidores internacionais, especialmente os dos Estados Unidos, evitam o Brasil como se fosse um campo minado - e pelas piores razões: insegurança jurídica, corrupção endêmica, criminalidade descontrolada e um câmbio instável.

A dura constatação foi feita por Mauricio Claver-Carone, ex-assessor de Segurança Nacional para a América Latina do governo Donald Trump e ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Durante um jantar promovido pelo grupo Esfera, em Nova York, Claver-Carone foi direto ao ponto: “O Brasil enfrenta três grandes problemas que afastam os investimentos dos Estados Unidos: câmbio, crime e corrupção”.

Segundo ele, ao criar seu próprio fundo de investimentos, procurou todos os grandes players do mercado financeiro em Nova York e ouviu a mesma resposta: “Tentamos investir no Brasil, mas desistimos”. A justificativa foi unânime e preocupante: instabilidade econômica e ausência de um ambiente minimamente seguro e confiável para negócios.

O trio da ruína

Claver-Carone organizou os obstáculos em três “C’s”:

  1. Câmbio - A volatilidade da moeda brasileira é o principal motivo de afastamento dos investidores. A ausência de previsibilidade nos negócios torna qualquer planejamento de médio e longo prazo um risco quase insano.

  2. Crime - O segundo ponto destacado é o crime organizado, com menções diretas ao PCC e ao Comando Vermelho, facções que, segundo ele, agem como verdadeiros “estados paralelos”. A força dessas organizações não é apenas uma ameaça à segurança pública, mas mina também a estabilidade institucional e econômica do país.

  3. Corrupção - Por fim, ele apontou a corrupção como um legado difícil de apagar. Mesmo com avanços pontuais, como os da Operação Lava Jato, a imagem do Brasil segue manchada. A confiança externa continua abalada - e confiança, no mundo dos investimentos, é tudo.

Um gigante ignorado

“Vocês são a segunda maior economia do Hemisfério Ocidental, mas pergunte a qualquer um em Nova York quem está atrás dos EUA. Vão dizer Canadá ou México”, disparou Claver-Carone. A frase resume bem o paradoxo brasileiro: um país de dimensões continentais, com vastos recursos naturais, povo criativo e potencial extraordinário - mas que se destaca lá fora por seus escândalos, facções criminosas e instabilidade.

O Brasil virou uma republiqueta?

A pergunta pode soar provocativa, mas já se ouve em corredores diplomáticos e salas de reuniões em Manhattan. A imagem do Brasil se aproxima cada vez mais daquelas “repúblicas de bananas” da América Latina, marcadas por governos populistas, vínculos com o narcotráfico e desprezo pelas instituições. Quando um enviado dos EUA precisa destacar facções criminosas como obstáculos ao investimento, a gravidade da situação é inegável.

Omissão ou conivência?

Resta a dúvida: como o Brasil chegou a esse ponto? A corrupção, o crime e o câmbio são sintomas de uma doença institucional mais profunda. O próprio governo brasileiro parece, em muitos momentos, mais interessado em blindar aliados do que em enfrentar as raízes do problema. No Congresso, projetos de lei favorecem delinquentes, protegem corruptos e limitam o trabalho das forças de segurança.

A sensação - dentro e fora do Brasil - é de que o país virou um território sem lei, onde os bandidos mandam e os cidadãos trabalham para pagar a conta da corrupção institucionalizada.

Um recado claro ao Planalto

A fala de Claver-Carone não é apenas uma análise técnica: é um recado político. Os investidores não veem no atual governo brasileiro a disposição de enfrentar o caos. Pelo contrário: observam passividade, leniência, discursos contraditórios e uma proteção quase cúmplice aos tentáculos da criminalidade. Até quando isso será tolerado?

Se o Brasil quiser voltar a ser levado a sério no cenário internacional, precisará fazer muito mais do que discursos bonitos ou reformas cosméticas. Precisará, acima de tudo, provar que está disposto a quebrar o ciclo de impunidade, enfrentar o crime organizado com seriedade e criar um ambiente institucional confiável.

Até lá, o país continuará sendo visto como uma promessa que não se cumpre. E continuará pagando caro por isso.

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