
A participação da comitiva brasileira na despedida do papa Francisco se transformou em um espetáculo constrangedor. Composta por nada menos que vinte pessoas — mais do que o dobro da delegação argentina, país natal do pontífice —, a delegação brasileira chamou atenção negativamente pelo excesso. Em vez de sobriedade e representatividade diplomática, o que se viu foi uma exibição desproporcional, com ares de turismo oficial pago pelos cofres públicos.
A primeira-dama Janja, que tem se destacado mais por sua presença midiática do que por discrição institucional, apareceu sorridente em diversos momentos do funeral, destoando completamente do clima de luto e respeito que a ocasião exigia. A ex-presidente Dilma Rousseff também contribuiu para o embaraço geral ao soltar uma de suas já conhecidas gafes, ao declarar que o papa era uma pessoa “religiosa” — algo tão óbvio quanto desnecessário, beirando o absurdo.
A postura da comitiva brasileira contrasta com exemplos internacionais de recato. Nos Estados Unidos, por exemplo, a imprensa criticou duramente Donald Trump por algo tão trivial quanto a cor de seu terno durante um funeral — azul, em vez de preto. Isso mostra o nível de exigência em países onde a liturgia do cargo ainda importa. Agora imagine se Trump tivesse cometido o disparate de levar uma comitiva tão inflada quanto a brasileira...
A presença brasileira no evento revelou mais do que falta de protocolo: foi uma demonstração de vaidade institucional e pouco caso com o simbolismo da ocasião. Em vez de prestar uma homenagem digna ao líder espiritual de mais de um bilhão de católicos, o governo brasileiro protagonizou uma performance desastrada e autocomplacente, que deixou o país mal visto diante da comunidade internacional.
Embora sites de checagem de informações — muitos claramente alinhados à esquerda — tentem desqualificar as críticas ao exagero da comitiva brasileira, afirmando que é mentira a comparação com outros países, a verdade é que eles mesmos distorcem os fatos. É natural que presidentes de qualquer país sejam acompanhados por auxiliares, seguranças e convidados em missões internacionais, mas há uma diferença clara entre equipe de apoio e comitiva oficial — aquela que representa institucionalmente a nação e tem acesso autorizado aos atos protocolares, como o velório do Papa. Nos Estados Unidos, apenas o presidente e a primeira-dama compuseram a comitiva reconhecida, respeitando o tom de solenidade exigido pela ocasião. Já o Brasil, além dos representantes das três esferas de poder, levou uma verdadeira “reca de gente”, incluindo figuras sem qualquer função oficial na cerimônia, como a namorada do presidente do STF, que sequer constava na lista divulgada pelo próprio governo. O resultado foi um misto de exibicionismo, desorganização e despreparo institucional, que expôs o país ao constrangimento internacional e reforçou a crítica de que o poder público, mais uma vez, se confundiu com conveniências privadas.


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