
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) acaba de ter mais R$ 6,3 milhões subtraídos de seu orçamento para 2025. A tesourada atinge em cheio as chamadas despesas discricionárias — aquelas que mantêm a universidade de pé no dia a dia: luz, água, manutenção, bolsas, assistência estudantil e pesquisa. Enquanto isso, o governo federal, liderado por um presidente idolatrado por boa parte do corpo docente e discente da universidade, segue fazendo viagens milionárias ao exterior e ignorando denúncias graves de corrupção na máquina pública.
É irônico, para não dizer trágico, ver os mesmos estudantes que vestiram vermelho e gritaram “fora fascismo” agora silenciarem diante de um corte que ameaça suas próprias bolsas e laboratórios. A maioria, ainda sob o romantismo ideológico de um socialismo universitário inofensivo, parece não perceber que o Estado que defendem não entrega sequer o básico: educação, segurança e saúde. Enquanto isso, a CGU aponta bilhões desviados do INSS, e o governo segue fazendo de conta que é só uma marolinha.
Mais uma vez, a conta sobra para o contribuinte — aquele que acorda cedo, paga imposto e vê o dinheiro evaporar entre viagens de comitivas presidenciais, velhos esquemas de corrupção reciclados e um Congresso anestesiado. A UFPI, como tantas outras universidades públicas, sofre as consequências diretas de decisões políticas que priorizam o apadrinhamento e o populismo sobre o investimento real em educação.
Por um lado, é difícil ter empatia com instituições que, em sua maioria, se tornaram redutos doutrinários, onde o pensamento divergente é sufocado e onde o discurso acadêmico se confunde com panfleto ideológico. Mas, por outro, é revoltante ver bilhões escoando por ralos de corrupção — mensalão, petrolão, e a agora esquecida Lava Jato — enquanto falta o básico para quem, apesar de tudo, ainda acredita no poder transformador da educação. Triste fim para um país chamado Brasil.
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