
A condução do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em relação ao projeto de anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, tem gerado indignação entre parlamentares da oposição e familiares dos condenados. Após prometer que pautaria o pedido de urgência — que já reúne assinaturas suficientes para ir ao plenário — Motta recuou logo após um jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), articulador-chave do governo no Congresso.
O gesto foi interpretado como submissão política ao Planalto, que tem trabalhado para enterrar qualquer possibilidade de anistia ampla. O recuo de Motta revela uma guinada na sua postura desde que assumiu a presidência da Câmara, rompendo compromissos assumidos com a oposição e frustrando quem esperava neutralidade institucional. A decisão também alimenta o clima de desconfiança entre os parlamentares que apoiam o projeto, que veem nas articulações do governo um movimento para bloquear o debate político legítimo.
Em meio ao impasse, Motta foi além: bloqueou o perfil da Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav) no Instagram. O gesto foi lido como tentativa de calar as críticas públicas ao seu recuo. A associação tem cobrado nas redes sociais a palavra do deputado e pressionado pela votação da anistia, sob a justificativa de que muitos dos detidos teriam sido punidos de forma desproporcional.
A proposta, originalmente defendida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem sido reavaliada inclusive pela própria oposição, que agora busca um texto mais moderado — com foco apenas nos envolvidos em depredações. Apesar disso, a base governista segue empenhada em barrar o avanço do projeto. Sem previsão de pauta e com Hugo Motta cada vez mais alinhado ao Planalto, cresce a percepção de que a promessa da anistia está sendo sepultada nos bastidores da política.
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