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Cultura CAUSA MORTIS

Papa Francisco morreu vítima de derrame e parada cardiorrespiratória, confirma Vaticano

Pontífice sofreu AVC súbito seguido de coma; laudo aponta quadro respiratório grave agravado por hipertensão e diabetes. Últimos momentos foram assistidos por médicos e membros da Casa Pontifícia

21/04/2025 às 21h22
Por: Douglas Ferreira
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Papa Francisco faleceu vítima de AVC seguido de coma e parada cardíaca - Foto: Reprodução
Papa Francisco faleceu vítima de AVC seguido de coma e parada cardíaca - Foto: Reprodução

O Vaticano confirmou, na tarde desta segunda-feira (21), que o papa Francisco faleceu em decorrência de um derrame cerebral súbito, seguido por coma e uma parada cardiorrespiratória irreversível. O laudo médico, assinado pelo professor Andrea Arcangeli, diretor do Departamento de Saúde e Higiene do Estado da Cidade do Vaticano, detalha um quadro clínico que já vinha se agravando nas últimas semanas e culminou em uma morte rápida, porém acompanhada.

De acordo com o relatório clínico divulgado pela Santa Sé, Francisco apresentava insuficiência respiratória aguda provocada por uma pneumonia bilateral multimicrobiana. Essa condição, combinada com bronquiectasias múltiplas — dilatações permanentes nos brônquios que causam acúmulo de secreções —, hipertensão arterial e diabetes tipo II, comprometeu de forma severa suas funções vitais.

A morte foi oficialmente constatada por registro eletrocardiotanatográfico — um método que confirma o óbito a partir da parada completa da atividade elétrica cardíaca.

Os últimos momentos: silêncio e acompanhamento clínico

Segundo fontes próximas ao círculo do papa, Jorge Mario Bergoglio estava em sua residência, no convento Mater Ecclesiae, dentro do Vaticano, quando apresentou os primeiros sintomas do derrame. Ele estava consciente no início da crise, mas perdeu os sentidos em poucos minutos. Médicos da Casa Pontifícia, já de prontidão devido ao agravamento de seu estado nos últimos dias, prestaram assistência imediata, mas a progressão foi rápida e irreversível.

Testemunhas afirmam que, nas horas anteriores, o papa havia celebrado uma breve oração com alguns colaboradores e aparentava estar fraco, porém lúcido. Há registros de que pediu silêncio e que fosse lida uma passagem do Evangelho segundo Mateus, o mesmo texto que inspirou seu lema episcopal: “Miserando atque eligendo”.

Francisco não morreu sozinho. Membros de sua equipe pessoal e religiosos próximos estavam com ele. Não há informações oficiais sobre sofrimento ou dor intensa nos momentos finais, mas médicos indicam que o coma se instalou logo após o AVC, e a morte ocorreu com relativa serenidade.


Uma vida de escolhas radicais pela simplicidade

Nascido em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, Jorge Mario Bergoglio tornou-se o primeiro papa latino-americano da história, e o primeiro da ordem dos jesuítas. Desde o início, rompeu protocolos: dispensou o trono dourado, o anel cravejado e os sapatos vermelhos. Preferiu viver no alojamento simples da Casa Santa Marta e andava de carro popular pelas ruas de Roma. Sua eleição, em 13 de março de 2013, marcou o início de um pontificado voltado à reforma moral e administrativa da Igreja.

Francisco enfrentou resistências internas e crises externas. Assinou encíclicas de forte apelo ambiental e social, como a Laudato Si’, criticou o consumismo, condenou a idolatria do dinheiro e denunciou os abusos dentro do clero. Visitou periferias, campos de refugiados e dialogou com líderes de outras religiões. Foi protagonista em mediações diplomáticas — como no reatamento entre Estados Unidos e Cuba — e defendeu abertamente os imigrantes, os pobres, os marginalizados.


O próximo capítulo: silêncio, luto e sucessão

Ainda não há um cronograma oficial das cerimônias fúnebres, mas fontes do Vaticano indicam que os ritos começarão nas próximas horas, conforme as reformas promovidas pelo próprio papa Francisco em 2023. Os funerais deverão refletir sua opção por uma Igreja pobre para os pobres: menos ostentação, mais espiritualidade.

A Sé de Pedro está novamente vacante. Com a morte do pontífice e sem um papa emérito vivo — como ocorrera com Bento XVI —, o Vaticano entra formalmente em período de luto e preparação para o Conclave que escolherá o próximo papa.

Mas, antes disso, o mundo católico se despede de um homem que transformou a forma de exercer o papado. Um papa que quis morrer como viveu: com simplicidade, dignidade e fé.

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