
Com a morte do Papa Francisco, aos 88 anos, confirmada nesta segunda-feira (21), a Igreja Católica entra em um de seus momentos mais solenes: a sede vacante, quando a cadeira de São Pedro fica oficialmente desocupada e tem início o processo de escolha de um novo pontífice. Esse processo culmina no Conclave, o sistema eleitoral secreto e tradicional que define o novo líder da Igreja.
Com a morte do Papa, o responsável por confirmar oficialmente o falecimento é o camerlengo da Igreja — atualmente o cardeal Kevin Joseph Farrell. Ele também assume o governo interino do Vaticano, embora sem poder tomar decisões doutrinárias. Ao camerlengo cabe preparar o funeral papal, que normalmente ocorre entre quatro e seis dias após a morte, além de supervisionar a transição até a eleição do novo Papa.
Durante esse período, os fiéis participam dos “novendiali”, uma série de nove dias de orações e celebrações em memória do pontífice falecido, enquanto o corpo é velado na Basílica de São Pedro e posteriormente sepultado nas criptas papais.
O Conclave é uma reunião restrita aos cardeais com menos de 80 anos de idade no dia da morte do Papa. Embora o número de cardeais eleitores atualmente seja de 135, o regulamento prevê a participação máxima de 120 cardeais votantes — os organizadores do Conclave definem a lista final de participantes com base nessa regra.
Cardeais de todas as regiões do mundo se reúnem no Vaticano para a escolha. Os demais cardeais (com mais de 80 anos) podem participar das reuniões preparatórias, mas não têm direito a voto.
O Conclave ocorre na Capela Sistina, no Vaticano. Os cardeais eleitores são isolados do mundo externo: sem celulares, internet ou contato com o público. O objetivo é preservar a reflexão e garantir a segurança do voto.
A cada dia, são realizadas até quatro votações secretas (duas pela manhã, duas à tarde). Cada cardeal escreve o nome do seu escolhido em uma cédula, que é depositada em uma urna especial. Para que um nome seja eleito, é necessário obter dois terços dos votos dos presentes.
As cédulas são então queimadas em um fogareiro especial. Fumaça preta indica que nenhum candidato foi escolhido. Quando a eleição é concluída com sucesso, as cédulas são queimadas com produtos que geram fumaça branca, sinalizando ao mundo que “temos um Papa”.
Em teoria, qualquer homem batizado na fé católica pode ser eleito Papa. Na prática, porém, desde o século XIV todos os papas eleitos foram cardeais. Isso se deve ao conhecimento teológico, experiência e inserção na estrutura da Cúria Romana que o colégio cardinalício possui.
Ao ser eleito, o cardeal é convidado a aceitar o cargo e a escolher o nome pelo qual será conhecido como Papa. Só então o nome é anunciado.
Assim que um cardeal aceita sua eleição, o cardeal protodiácono — atualmente Jean-Louis Tauran — aparece na sacada da Basílica de São Pedro e proclama ao mundo a famosa frase:
“Habemus Papam!” (Temos um Papa!)
Logo em seguida, o novo pontífice surge ao lado do cardeal e concede sua primeira bênção apostólica à multidão reunida na Praça de São Pedro e ao mundo.
Ainda é cedo para previsões definitivas, mas entre os nomes mais citados por vaticanistas e analistas estão:
Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, com forte atuação diplomática;
Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana e ligado a movimentos de base e causas sociais;
Luis Antonio Tagle, filipino, próximo do Papa Francisco e considerado um nome que une tradição e abertura;
Robert Sarah, da Guiné, conhecido por seu perfil conservador e apoio à liturgia tradicional.
A sucessão papal, ainda que envolta em tradição e rituais antigos, também carrega consigo uma profunda expectativa: que o novo Papa seja capaz de conduzir a Igreja diante dos desafios do século XXI, como as crises sociais, os escândalos internos e o próprio declínio do número de fiéis em algumas regiões do mundo.
O Vaticano entra, mais uma vez, em um momento decisivo de sua história. O mundo católico aguarda, em oração e suspense, a fumaça branca que anunciará o próximo sucessor de Pedro.
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