
A primeira Páscoa nasceu no Egito, por volta do século XIII a.C., e não tinha chocolate nem feriado prolongado. Era, antes de tudo, um rito de resistência e memória. Segundo o Livro do Êxodo, Deus ordena que os hebreus sacrifiquem um cordeiro e marquem os umbrais das portas com o seu sangue, como sinal para que o anjo da morte “passe por cima” das casas israelitas durante a décima praga - a morte dos primogênitos egípcios.
Daí o nome em hebraico: Pessach (פסח), que significa literalmente "passagem" ou "passar por cima". Essa foi a noite em que os judeus, liderados por Moisés, escaparam da escravidão egípcia rumo à liberdade no deserto, em direção à Terra Prometida.
A Páscoa, portanto, representa para os judeus:
A libertação da escravidão;
A fundação da identidade do povo de Israel;
Um compromisso com a memória histórica e espiritual.
Até hoje, os judeus celebram o Sêder de Pessach, um jantar ritual repleto de simbolismos (ervas amargas, pão sem fermento, vinho etc.), repetindo a narrativa da saída do Egito - para que jamais se esqueça de onde vieram.
Séculos depois, na mesma Palestina, outro episódio viria redefinir o sentido da Páscoa - agora para os cristãos. Jesus de Nazaré, judeu, celebrou a Páscoa com seus discípulos na chamada Última Ceia, dias antes de ser preso, julgado, crucificado e sepultado.
Segundo os evangelhos, no Domingo de Páscoa, o túmulo de Jesus foi encontrado vazio. Esse é o coração da fé cristã: a ressurreição de Cristo, a vitória sobre a morte e o pecado. A Páscoa cristã, portanto, simboliza:
A ressurreição de Jesus;
A vitória da vida sobre a morte;
A renovação da fé e o início de uma nova aliança.
A celebração da Páscoa cristã foi institucionalizada oficialmente a partir do Concílio de Niceia (325 d.C.), que definiu sua data como o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio de primavera no hemisfério norte. É por isso que a data muda a cada ano.
Aí entra a cultura e o comércio. O ovo, desde a antiguidade, é símbolo de renascimento e fertilidade - muito anterior ao cristianismo. No Oriente, era comum presentear ovos decorados na primavera.
Na Europa medieval, o costume de trocar ovos (de galinha) pintados começou a se misturar com a simbologia cristã da vida nova. Com o tempo, os confeiteiros europeus (especialmente os franceses e alemães) trocaram os ovos reais por ovos de chocolate - uma invenção do século XIX que conquistou o mundo e o mercado.
O coelho, por sua vez, também vem da simbologia da fertilidade. Reproduz-se rápido e muito - um símbolo pagão da vida que brota na primavera. A Igreja absorveu muitos desses símbolos para facilitar a cristianização dos povos.
| Aspecto | Judaísmo | Cristianismo |
|---|---|---|
| Nome | Pessach | Páscoa |
| Origem | Egito Antigo | Jerusalém (1º século) |
| Significado | Libertação da escravidão | Ressurreição de Jesus |
| Data | 15 de Nissan (calendário hebraico) | Primeiro domingo após a lua cheia do equinócio |
| Símbolos | Cordeiro, pão sem fermento, ervas amargas | Cruz, túmulo vazio, luz, vela |
| Objetivo | Comemorar a saída do Egito | Celebrar a vitória de Cristo sobre a morte |
A Páscoa, portanto, é mais que feriado: é memória, fé e símbolo de recomeço. Seja nas ruas de Jerusalém, nos desertos do Sinai, ou entre vitrines de ovos de chocolate - ela carrega um chamado antigo à liberdade, à esperança e à vida.
ESCOLA DO RECIFE Tobias Barreto de Menezes: o jurista que revolucionou o pensamento jurídico brasileiro
JUSTIÇA DO TRABALHO Maria Suzete Monte Diógenes: uma vida dedicada à Justiça, ao conhecimento e ao serviço público
REFLEXÃO Robôs ou enxadas? O futuro que estamos deixando para nossos jovens Mín. 23° Máx. 32°