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Economia GUERRA COMERCIAL

EUA impõem tarifaço de 104% à China: guerra comercial se intensifica e escancara riscos globais

A partir desta quarta-feira (9), todos os produtos chineses exportados aos Estados Unidos serão taxados em até 104%. Medida drástica do governo Trump reacende tensão global, agrava instabilidade econômica e alimenta rivalidades estratégicas

08/04/2025 às 18h58
Por: Douglas Ferreira
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Trump ameçou e ao que tudo indica vai cumprir - Foto: Reprodução
Trump ameçou e ao que tudo indica vai cumprir - Foto: Reprodução

A Casa Branca confirmou oficialmente, nesta terça-feira (8), que os Estados Unidos passarão a taxar produtos chineses em até 104%, a partir desta quarta-feira (9). O anúncio foi feito pela secretária de imprensa Karoline Leavitt, em entrevista à Fox Business, e representa a escalada mais agressiva até agora na guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas do planeta.

O que motivou os EUA a impor o tarifaço?

A decisão vem como resposta direta à retaliação chinesa. Tudo começou no último dia 2, quando o presidente Donald Trump anunciou um aumento tarifário de 34% sobre produtos importados da China, como tentativa de pressionar o país asiático a reequilibrar o que considera uma relação comercial injusta e desigual.

Pequim respondeu na sexta-feira (4) com tarifas equivalentes (34%) sobre produtos americanos, como soja, carros, tecnologia e equipamentos agrícolas. Trump, então, ameaçou dobrar a aposta caso a China não recuasse até terça-feira (8). Como Pequim manteve sua posição, a Casa Branca cumpriu a promessa: a tarifa agora chega a 104%, somando todas as camadas anteriores.

A justificativa oficial de Trump gira em torno de proteger a indústria americana, combater práticas desleais de comércio e frear o avanço industrial chinês com apoio estatal — especialmente em setores como tecnologia, semicondutores e veículos elétricos.

Consequências: quem perde mais nessa guerra comercial?

As consequências são globais, profundas e de múltiplas frentes:

  • Para os EUA, o tarifaço tende a aumentar os preços de produtos chineses no mercado interno, o que pode impactar o consumidor final com inflação e encarecimento de insumos para empresas que dependem da cadeia asiática. Setores como o de tecnologia, têxtil e manufaturas devem sentir o baque.

  • Para a China, a medida reduz a competitividade de seus produtos nos EUA, afeta empregos na indústria exportadora e pressiona Pequim a buscar novos mercados ou a acelerar sua transição para um modelo mais voltado ao consumo interno e menos dependente do Ocidente.

  • Para o mundo, o agravamento da disputa traz instabilidade nos mercados financeiros, interrupções nas cadeias globais de suprimentos e pressiona países menores a escolherem lados entre os dois gigantes. O risco de desglobalização comercial e formação de blocos econômicos rivais ganha força.

Quem pode tirar vantagem?

No curto prazo, alguns países emergentes podem ganhar espaço como fornecedores alternativos de produtos antes dominados pela China. México, Vietnã, Índia e até o Brasil podem ser beneficiados por empresas americanas e chinesas em busca de rotas alternativas para fugir das tarifas.

No entanto, esses ganhos são incertos e temporários, pois a disputa EUA-China pode impactar cadeias produtivas inteiras e comprometer a previsibilidade necessária para o comércio internacional.

Quem está mais vulnerável: China ou EUA?

Neste momento, a China ainda aparece como o lado mais vulnerável, por ser mais dependente das exportações do que os EUA. Embora esteja em curso um movimento chinês de fortalecer o mercado interno, o país ainda exporta cerca de 18% do seu PIB, com os EUA sendo um dos principais destinos.

Por outro lado, os Estados Unidos também sangram lentamente, com aumento do custo de vida, desabastecimento pontual e pressão sobre pequenas e médias empresas que dependem de produtos ou componentes chineses.

Ou seja, ninguém vence facilmente numa guerra comercial. Mas as perdas se espalham rapidamente, e quem tem menos margem fiscal, menos mercado interno aquecido e menos capacidade de negociação sente primeiro.

O que esperar agora?

Pequim ainda não anunciou uma nova resposta ao tarifaço de 104%, mas é provável que outra rodada de retaliações esteja sendo preparada. Isso pode envolver restrições a empresas americanas na China, barreiras técnicas a produtos sensíveis e até restringir exportações estratégicas, como terras raras, essenciais à indústria de alta tecnologia americana.

O clima é de confronto prolongado, com potencial para se tornar estrutural, ou seja, não mais um episódio passageiro, mas uma mudança duradoura no sistema de comércio internacional.

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