
Toneladas de roupas, incluindo sapatos, camisetas, casacos e vestidos, formam uma gigantesca montanha nos arredores do Deserto do Atacama, no Chile. O volume de descarte têxtil é tão expressivo que a área foi identificada por satélites em 2023. O fenômeno escancara o problema da superprodução da indústria da moda e seu impacto ambiental devastador. Agora, uma iniciativa busca transformar esse desperdício em oportunidade.
O Atacama RE-Commerce, desenvolvido pela Artplan e VTEX em parceria com Fashion Revolution Brasil e Desierto Vestido, resgata peças descartadas, muitas delas de grandes marcas e até novas, higieniza e disponibiliza gratuitamente na internet. O projeto tem como objetivo conscientizar sobre os danos do consumismo exacerbado e incentivar um modelo mais sustentável de produção e consumo.
“Acreditamos que cada peça tem uma história e um propósito. Nossa missão é resgatar esses itens e dar a eles uma nova chance, promovendo um processo de conscientização sobre o consumismo exacerbado promovido pela indústria da moda atualmente”, afirma Mariano Gomide de Faria, CEO da VTEX, empresa responsável pela plataforma digital do projeto.
A iniciativa permite que consumidores adquiram roupas de marcas renomadas sem custo algum, pagando apenas o frete. Ou seja, ao solicitar uma peça, a pessoa está literalmente ajudando a removê-la do deserto.
O processo inclui uma curadoria rigorosa, em que as roupas são selecionadas, restauradas e higienizadas antes de serem disponibilizadas na plataforma digital do projeto. Ainda nesta segunda-feira (17), os interessados poderão acessar o site do Atacama RE-Commerce, escolher os produtos disponíveis e pagar somente o valor do envio.
A montanha de roupas no Atacama reflete um problema global: a indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, gerando toneladas de resíduos têxteis anualmente. Peças descartadas de maneira inadequada demoram décadas para se decompor e contaminam o solo e os recursos hídricos.
Ángela Astudillo, cofundadora da Desierto Vestido, destaca a importância de iniciativas como essa:
“O impacto ambiental da indústria têxtil é enorme, e fomentar alternativas sustentáveis é um caminho para reduzir o desperdício e preservar os recursos naturais e as comunidades locais, que são afetadas por esses problemas”.
Além da ação social, o projeto também promove reflexões sobre o modelo atual de produção e descarte na moda. Para Fernanda Simon, diretora executiva da Fashion Revolution Brasil, esse é um passo essencial para mudanças mais profundas no setor:
“Estamos vivendo uma Emergência Climática, e a indústria da moda precisa de compromissos mais robustos. Esta ação é uma forma de chamar atenção para o que está por trás das roupas e provocar novas formas de se relacionar com elas”.
Com essa iniciativa, o Atacama RE-Commerce não apenas resgata roupas esquecidas no deserto, mas também lança um alerta global sobre o impacto do consumo irresponsável e a urgência de um modelo mais sustentável para a moda.
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