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Economia ENDIVIDAMENTO

O governo incentiva endividamento e beneficia bancos com novo crédito consignado

Em vez de reduzir juros, proposta do governo e de Gleisi Hoffmann pode agravar a situação financeira do trabalhador e enriquecer ainda mais os bancos

24/03/2025 às 07h59
Por: Douglas Ferreira
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O vídeo de Gleisi anunciando o “empréstimo de Lula” viralizou na internet e virou polêmica - Foto: Reprodução
O vídeo de Gleisi anunciando o “empréstimo de Lula” viralizou na internet e virou polêmica - Foto: Reprodução

O novo programa de crédito consignado lançado pelo governo Lula e promovido pela ministra Gleisi Hoffmann nas redes sociais gerou forte repercussão - mas não pelo motivo que o governo esperava. Em um vídeo que viralizou, Gleisi convida os trabalhadores a recorrerem ao "empréstimo do Lula" como solução para os juros altos e o aperto no orçamento. Mas, para muitos, a proposta não passa de uma armadilha que levará milhões a mais endividamento enquanto os bancos se beneficiam.

A reação da oposição foi imediata. Líderes políticos e economistas criticaram a medida, argumentando que, ao invés de enfrentar a raiz do problema - os juros elevados -, o governo aposta em uma solução que transfere ainda mais dinheiro para o sistema bancário.

"O governo deveria liberar parte do FGTS dos trabalhadores, um dinheiro que já é deles, em vez de estimulá-los a se endividar ainda mais", opina o servidor público Natanael dos Reis Pereira da Silva. A crítica é compartilhada por muitos especialistas, que veem na proposta um risco de aprofundamento da crise financeira das famílias brasileiras.

O que pretende o governo com esse vídeo?

O governo comemora os números do primeiro dia da liberação do crédito, que registrou mais de 15 milhões de simulações. Mas evita divulgar quantos desses trabalhadores de fato contrataram os empréstimos. Para a professora Ana Cláudia Amorim, o alto número de acessos reflete apenas a curiosidade e a necessidade do povo, não uma adesão real ao programa. "O trabalhador acessou por desespero, mas sabe que não pode se afundar ainda mais em dívidas", alerta.

Gleisi Hoffmann, conhecida por declarações polêmicas e exposição midiática em momentos controversos, mais uma vez se coloca na linha de frente de um discurso difícil de sustentar. O vídeo lembra outras passagens marcantes da ministra, como seu pedido de apoio ao governo Lula em emissoras estrangeiras, seu respaldo ao regime de Nicolás Maduro e suas leituras das cartas de Lula na prisão.

A quem realmente serve o "empréstimo do Lula"?

A nova linha de crédito permite que os trabalhadores usem até 10% do saldo do FGTS como garantia, além de 100% da multa rescisória em caso de demissão. O objetivo oficial é reduzir os juros cobrados, tornando o crédito mais acessível. No entanto, críticos apontam que o verdadeiro beneficiado não é o trabalhador, e sim o setor bancário, que terá garantias adicionais para emprestar dinheiro com risco reduzido.

Com parcelas limitadas a 35% do salário, a nova modalidade pode acabar comprometendo ainda mais a renda de quem já está no limite. Em um cenário de desemprego e inflação, o risco de sobreendividamento cresce, deixando milhões de brasileiros vulneráveis.

Basta ver o que ocorreu com o consignado dos servidores públicos, sobretudo, dos aposentados. Muitos estão com o salário comprometido e enfrentando todo tipo de dificuldade.

O governo perdeu a chance de uma solução real?

Diante das críticas, especialistas sugerem que o governo poderia ter adotado alternativas mais eficazes para aliviar a situação financeira dos trabalhadores. A liberação de uma parcela do FGTS, sem a necessidade de empréstimos, seria uma medida mais favorável, permitindo que as pessoas usassem seus próprios recursos sem o peso dos juros bancários.

Enquanto isso, o vídeo de Gleisi continua circulando, impulsionado pela oposição como um exemplo da falta de estratégia do governo para lidar com a crise econômica. Ao invés de solucionar o problema dos juros altos, a proposta pode estar criando um problema ainda maior: um trabalhador ainda mais endividado e um sistema financeiro ainda mais lucrativo às custas da população.

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