
O Brasil enfrenta uma realidade alarmante em que as facções criminosas dominam amplamente o território nacional, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Elas controlam áreas inteiras, ditando regras, normas e até mesmo os destinos dos cidadãos. As facções têm poder para decidir o que pode ou não ser feito nas ruas, impondo sua autoridade sobre as comunidades, onde a população, que deveria ter seus direitos garantidos pela Constituição, vive sob constante ameaça. O cidadão comum perde cada vez mais a segurança e a liberdade, enquanto o crime organizado se expande com pouca resistência do Estado.
Em um exemplo que ilustra bem essa situação, dois turistas de São Paulo foram torturados em Florianópolis, Santa Catarina, após fazerem gestos que foram confundidos com símbolos de uma facção criminosa rival. O crime aconteceu em março do ano passado, na praia de Canasvieiras, e resultou em tortura e cárcere privado. Os turistas, ao posarem para fotos, não sabiam que os gestos que fizeram seriam interpretados como sinais de uma facção rival. O caso foi mais um reflexo da crescente intromissão das facções até mesmo em áreas que tradicionalmente são vistas como mais seguras, como é o caso de Santa Catarina, um dos estados com menor índice de violência.
Este caso em Santa Catarina é apenas a ponta do iceberg. As facções criminosas não são restritas às grandes metrópoles ou áreas tradicionalmente violentas. Elas têm se espalhado por todo o país, promovendo tribunais do crime, decidindo quem vive e quem morre, e aterrorizando não apenas moradores, mas também turistas e qualquer um que, de alguma forma, ouse cruzar suas regras. O crime organizado se tornou um poder paralelo que, em muitos lugares, ultrapassou a autoridade do próprio Estado, gerando uma situação de insegurança e caos para a população brasileira.
No caso específico ocorrido em Santa Catarina, um ano depois, três homens foram detidos em Florianópolis, nesta sexta-feira, 21, pela tentativa de homicídio, tortura e cárcere privado contra os dois turistas. A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (DECRIM), cumpriu os mandados de prisão preventiva.
A ação rotineira das facções criminosas em todo o território nacional faz valer o ditado: "tá tudo dominado". De fato, em certos aspectos e na maioria dos Estados, está mesmo. Mas se chegamos a esse ponto, é porque o Estado brasileiro permitiu. Agora, a polícia ficará apenas enxugando gelo.
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