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Orçamento 2025: privilégios, cortes e a política do faz de conta

Congresso aprova Orçamento inflado por emendas, com cortes em educação e assistência social, enquanto setores privilegiados garantem aumentos bilionários

20/03/2025 às 22h07
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Gazeta do Povo
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Orçamento 2025: privilégios, cortes e a política do faz de conta

Após meses de atraso e disputas políticas, o Congresso finalmente aprovou o Orçamento de 2025. O governo manteve a meta de déficit zero, mas o texto final projeta um superávit de R$ 15 bilhões, bem acima da previsão inicial de R$ 3,7 bilhões. No entanto, essa promessa de equilíbrio fiscal esconde um jogo de prioridades que favorece setores políticos e corporativos, enquanto programas essenciais sofrem cortes.

Emendas parlamentares turbinadas

Uma das principais marcas do Orçamento aprovado é a generosidade com os parlamentares. O relator, senador Angelo Coronel (PSD-BA), destinou mais de R$ 50 bilhões para emendas — um valor recorde. O montante, que inclui as emendas individuais e de bancada de execução obrigatória, assegura aos congressistas recursos para irrigar suas bases eleitorais em 2025.

Enquanto isso, áreas como educação e assistência social tiveram cortes significativos. O programa de incentivo à escola em tempo integral, que ampliaria o acesso à educação de qualidade, perdeu R$ 4,8 bilhões. O Bolsa Família, carro-chefe das políticas sociais do governo, foi reduzido em R$ 7,7 bilhões. Já o programa Pé-de-Meia, que incentiva estudantes do ensino médio a permanecerem na escola, não recebeu garantia de recursos no Orçamento, e sua execução dependerá de remanejamentos ao longo do ano.

Benefícios para uns, prejuízo para outros

Se de um lado os programas sociais sofrem cortes, de outro, categorias privilegiadas garantiram aumentos expressivos. As despesas com pessoal cresceram R$ 27,9 bilhões, incluindo R$ 22 bilhões para assegurar um reajuste de 9% para a maioria dos servidores do Executivo. Além disso, recursos adicionais foram reservados para atender demandas da Previdência (R$ 8,3 bilhões), seguro-desemprego (R$ 338,6 milhões) e auxílio-gás (R$ 3 bilhões).

Votação atropelada e críticas

O Orçamento foi aprovado de forma simbólica, sem o registro nominal de votos, após um processo acelerado que gerou revolta em parte dos parlamentares. A líder da Minoria na Câmara, Caroline de Toni (PL-SC), criticou a pressa na aprovação de um documento com mais de 3 mil páginas:

“O relatório só foi publicado de madrugada. Como debater algo tão importante assim? Em um país sério, isso jamais aconteceria.”

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) e a bancada do Novo foram os únicos a se manifestarem contra a proposta. A oposição acusou o governo de manobrar para aumentar sua popularidade, destinando mais recursos a determinadas áreas em detrimento de outras.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) apontou que o governo usou artifícios fiscais para cumprir artificialmente a meta de déficit zero:

“O governo está subtraindo recursos do Fundo Social do pré-sal para tapar buracos. Passaram três vezes por cima do próprio arcabouço fiscal.”

Um orçamento que favorece a classe política

No fim das contas, o Orçamento de 2025 reflete a velha prática do toma-lá-dá-cá. Enquanto setores estratégicos perdem bilhões, o Congresso se protege com emendas generosas, e servidores garantem reajustes expressivos. A promessa de responsabilidade fiscal do governo se sustenta sobre cortes que afetam diretamente a população mais vulnerável.

O Orçamento agora segue para sanção do presidente Lula, mas, no Brasil, a peça orçamentária raramente é definitiva. Emendas, ajustes e remanejamentos ao longo do ano podem alterar ainda mais a distribuição dos recursos. O que já está claro, porém, é que a política do faz de conta segue firme: o discurso de responsabilidade fiscal convive com aumentos para setores privilegiados, enquanto a população paga a conta.

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