
No último domingo, acompanhei com atenção a eleição do novo líder do Partido Liberal do Canadá. Com 85,9% dos votos, Mark Carney não apenas venceu — ele atropelou os concorrentes internos e já se prepara para assumir o cargo de primeiro-ministro, sucedendo Justin Trudeau. A disputa interna foi quase protocolar diante da força de Carney, que deixou para trás Chrystia Freeland, Karina Gould e Frank Baylis. Foi uma daquelas vitórias que não deixam margem para dúvidas: o partido quer uma nova direção — e quer com pressa.
Mas o que me chamou atenção mesmo foi o tom do discurso de posse. Carney não perdeu tempo e já apontou o dedo para Donald Trump, acusando o presidente dos Estados Unidos de tentar enfraquecer deliberadamente a economia canadense. “Trump colocou tarifas injustificadas no que construímos, no que vendemos e em como vivemos”, disparou. A mensagem foi clara: o novo premiê está disposto a encarar o vizinho mais poderoso de frente — e manterá as retaliações comerciais até que o Canadá seja tratado com o respeito que merece.
No campo interno, Carney foi igualmente direto. Prometeu eliminar o imposto sobre o carbono, que ele considera um peso para as famílias e os pequenos negócios. Disse que vai barrar qualquer aumento no imposto sobre ganhos de capital e que pretende incentivar o empreendedorismo com medidas mais práticas do que simbólicas. É o tipo de discurso que agrada ao setor produtivo — e que tenta reposicionar os liberais em um momento delicado.
O que ainda não sabemos é como Carney, um ex-banqueiro sem experiência, vai se sair no jogo bruto da política. Mas uma coisa já deu para perceber: ele não quer ser apenas um substituto técnico de Trudeau. Ele quer marcar território. Tanto que sobrou até para o líder conservador Pierre Poilievre, acusado por Carney de fechar os olhos para a crise climática. “Ele vai deixar nosso planeta queimar”, disse. Se Carney conseguirá entregar o que promete, só o tempo dirá. Mas, pelo menos no discurso, ele já mostrou que chegou com apetite de mudança.
Bye bye Trudeau.
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