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Economia SINUCA DE BICO

Governo zera imposto de importação para conter inflação, mas decisão gera polêmica

Medida visa reduzir preços de alimentos, mas pode afetar produção nacional e gerar novos impostos

07/03/2025 às 06h18
Por: Douglas Ferreira
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A falta de planejamento e improviso deixa o governo numa “sinuca de bico” - Foto: Reprodução
A falta de planejamento e improviso deixa o governo numa “sinuca de bico” - Foto: Reprodução

Diante da alta da inflação e da queda na popularidade do presidente Lula, o governo anunciou um pacote de medidas para tentar conter o aumento dos preços dos alimentos. A principal ação é a isenção do imposto de importação para produtos como carne, café, açúcar, milho, azeite e óleo de cozinha. Além disso, a flexibilização das regras sanitárias, o fortalecimento dos estoques reguladores e o incentivo à produção da cesta básica também fazem parte do plano.

A decisão, porém, levanta questionamentos sobre seus efeitos reais na economia e no setor produtivo brasileiro. Enquanto o governo aposta que a redução dos impostos sobre importados ajudará a baixar os preços para o consumidor, especialistas e empresários alertam para o risco de desestimular a produção nacional e provocar um aumento do desemprego.

Redução da inflação ou desmonte da produção nacional?

O governo acredita que, ao baratear os produtos importados, a concorrência com os nacionais fará os preços caírem. No entanto, essa medida pode prejudicar os produtores brasileiros, que terão mais dificuldade em competir com produtos estrangeiros e podem ser forçados a reduzir investimentos e demitir funcionários. Uma alternativa mais equilibrada poderia ser a redução de impostos sobre a produção nacional, o que estimularia a economia interna e geraria empregos.

Produtos com alíquota zerada

O pacote anunciado pelo governo prevê a redução a zero das alíquotas de importação para os seguintes produtos:

  • Óleo de girassol (alíquota atual: 9%)
  • Azeite de oliva (alíquota atual: 9%)
  • Sardinha (alíquota atual: 32%)
  • Biscoitos (alíquota atual: 16%)
  • Café (alíquota atual: 19%)
  • Carnes (alíquota atual: 10,8%)
  • Açúcar (alíquota atual: 14%)
  • Milho (alíquota atual: 7,2%)
  • Macarrão (alíquota atual: 14,4%)

A expectativa do governo é que, com a eliminação desses tributos, os produtos importados fiquem mais baratos para o consumidor.

Compensação da renúncia fiscal

Para zerar as alíquotas de importação, o governo precisará abrir mão de uma parte da arrecadação. Isso levanta a dúvida: como essa perda será compensada? Alguns economistas apontam que o governo pode criar novos impostos ou aumentar tributos sobre outros produtos, o que pode anular o efeito positivo da medida para o consumidor.

Medidas de curto prazo sem plano de longo prazo

O pacote tem um objetivo claro: conter a alta dos preços rapidamente. No entanto, sem um planejamento sólido de longo prazo, a solução pode ser apenas temporária. Além disso, a falta de previsibilidade sobre a duração das medidas gera insegurança para empresários e produtores rurais, que não sabem se podem investir sem o risco de novas mudanças repentinas.

Efeito para o consumidor

Embora a intenção seja aliviar os gastos da população, a redução dos preços pode demorar a acontecer. O processo de importação envolve custos logísticos, variação cambial e tempo até que os produtos cheguem ao mercado. Se a economia não reagir como esperado, os preços podem não cair o suficiente para fazer diferença no bolso do consumidor.

Conclusão

A decisão do governo de zerar os impostos de importação pode parecer uma solução rápida para conter a inflação, mas traz consigo riscos que não podem ser ignorados. Na prática o governo está numa "sinuca de bico". Se, por um lado, a medida pode ajudar na redução dos preços, por outro, pode desestimular a produção nacional e gerar novos desafios econômicos. Sem um planejamento bem estruturado, o governo corre o risco de transformar o alívio momentâneo em um problema ainda maior no futuro. Afinal, medidas emergenciais sem estratégia podem acabar sendo apenas um paliativo, e não uma solução real para a economia.

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