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Economia A FALÊNCIA DO ESTADO

IMPÉRIO DAS FACÇÕES: O avanço impune das facções criminosas e a omissão dos governos

Crime organizado controla territórios, ameaça a economia e desafia o Estado, enquanto autoridades falham em conter a escalada da violência

03/03/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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O ataque do CV deixou toda a região do Complexo Portuário do Pecém sem internet - Foto: Reprodução
O ataque do CV deixou toda a região do Complexo Portuário do Pecém sem internet - Foto: Reprodução

Muito já se falou sobre o avanço das facções criminosas pelo Brasil. No entanto, o que antes era um problema concentrado em grandes centros urbanos e favelas, agora se alastra como uma epidemia, atingindo regiões estratégicas da economia nacional. No Nordeste, em especial, as organizações criminosas impõem suas próprias leis, tocam o terror e desmoralizam as autoridades. O que está acontecendo de fato? Por que os faccionados agem com tanta impunidade? Onde estão as forças de segurança? A resposta parece residir em um misto de inoperância do Estado e falta de vontade política.

Quando o crime decide quem faz negócios

O caso do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, expõe a profundidade do problema. A região, que é um dos principais polos de desenvolvimento econômico do estado, foi refém do Comando Vermelho, que destruiu equipamentos de provedores de internet e deixou 90% dos usuários sem conexão. Entre os prejudicados, estão gigantes do setor industrial, que movimentam bilhões de reais. Em outras palavras, o crime organizado tem poder para paralisar setores estratégicos da economia sem grandes dificuldades.

Os criminosos exigem um pedágio absurdo de 50% sobre a receita dos provedores de internet, ameaçando, atacando e queimando equipamentos daqueles que se recusam a pagar. É um escândalo de proporções gigantescas: grupos armados interferindo na infraestrutura econômica do Estado sem que nenhuma resposta concreta das autoridades seja vista.

Estados governados pela esquerda: territórios de livre atuação do crime organizado

Os Estados onde as facções exercem maior domínio coincidentemente são administrados pelo mesmo grupo político. Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí são exemplos claros de territórios em que o crime dita as regras. Por que, nesses Estados, a criminalidade cresce descontroladamente enquanto em unidades da Federação com administração diferente a situação está mais sob controle?

A verdade é que o discurso progressista de "combate às desigualdades" e "respeito aos direitos humanos" tem servido como cortina de fumaça para justificar a omissão e o fracasso na segurança. Enquanto governadores buscam atenuar os índices de violência com estatísticas duvidosas, a população é massacrada pelo crime organizado.

Resposta oficial: o de sempre

O governo do Ceará, pressionado, respondeu com a tradicional retórica vazia: investigações estão sendo feitas, forças de inteligência estão mobilizadas, mas o que se vê é um cenário de completo descontrole. O governador Elmano de Freitas (PT) prometeu "continuar com investigação e inteligência". Mas de que adianta investigar sem agir? De que adianta usar "inteligência" se as facções continuam ditando as regras e a economia segue sendo refém do crime? Que inteligência é essa que não consegue se antecipara aos fatos?

Enquanto o Comando Vermelho e o PCC consolidam seus domínios, empobrecem regiões e afastam investimentos, as autoridades seguem em sua bolha de discursos ensaiados. Resta a pergunta: até quando a sociedade irá suportar tamanha negligência? O Brasil precisa de ação, não de desculpas.

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