
Muito já se falou sobre o avanço das facções criminosas pelo Brasil. No entanto, o que antes era um problema concentrado em grandes centros urbanos e favelas, agora se alastra como uma epidemia, atingindo regiões estratégicas da economia nacional. No Nordeste, em especial, as organizações criminosas impõem suas próprias leis, tocam o terror e desmoralizam as autoridades. O que está acontecendo de fato? Por que os faccionados agem com tanta impunidade? Onde estão as forças de segurança? A resposta parece residir em um misto de inoperância do Estado e falta de vontade política.
O caso do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, expõe a profundidade do problema. A região, que é um dos principais polos de desenvolvimento econômico do estado, foi refém do Comando Vermelho, que destruiu equipamentos de provedores de internet e deixou 90% dos usuários sem conexão. Entre os prejudicados, estão gigantes do setor industrial, que movimentam bilhões de reais. Em outras palavras, o crime organizado tem poder para paralisar setores estratégicos da economia sem grandes dificuldades.
Os criminosos exigem um pedágio absurdo de 50% sobre a receita dos provedores de internet, ameaçando, atacando e queimando equipamentos daqueles que se recusam a pagar. É um escândalo de proporções gigantescas: grupos armados interferindo na infraestrutura econômica do Estado sem que nenhuma resposta concreta das autoridades seja vista.
Os Estados onde as facções exercem maior domínio coincidentemente são administrados pelo mesmo grupo político. Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí são exemplos claros de territórios em que o crime dita as regras. Por que, nesses Estados, a criminalidade cresce descontroladamente enquanto em unidades da Federação com administração diferente a situação está mais sob controle?
A verdade é que o discurso progressista de "combate às desigualdades" e "respeito aos direitos humanos" tem servido como cortina de fumaça para justificar a omissão e o fracasso na segurança. Enquanto governadores buscam atenuar os índices de violência com estatísticas duvidosas, a população é massacrada pelo crime organizado.
O governo do Ceará, pressionado, respondeu com a tradicional retórica vazia: investigações estão sendo feitas, forças de inteligência estão mobilizadas, mas o que se vê é um cenário de completo descontrole. O governador Elmano de Freitas (PT) prometeu "continuar com investigação e inteligência". Mas de que adianta investigar sem agir? De que adianta usar "inteligência" se as facções continuam ditando as regras e a economia segue sendo refém do crime? Que inteligência é essa que não consegue se antecipara aos fatos?
Enquanto o Comando Vermelho e o PCC consolidam seus domínios, empobrecem regiões e afastam investimentos, as autoridades seguem em sua bolha de discursos ensaiados. Resta a pergunta: até quando a sociedade irá suportar tamanha negligência? O Brasil precisa de ação, não de desculpas.
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