
Para quem acreditava que "o que está ruim não pode piorar", eis que vem a confirmação: Gleisi Hoffmann assume a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula 3. A reação do mercado foi instantânea - o dólar disparou para R$ 5,91, e a Bolsa afundou. A indicação, que já era vista com desconfiança dentro e fora do governo, consolidou um cenário de incerteza política e econômica, gerando apreensão até na própria base aliada.
Se a diplomacia de Alexandre Padilha não funcionou no cargo, o que esperar de Gleisi, uma figura que coleciona desafetos tanto na oposição quanto entre dentro do governo? A Secretaria de Relações Institucionais exige jogo de cintura e capacidade de negociação para garantir a governabilidade. No entanto, Gleisi é conhecida justamente pelo tom duro, pela inflexibilidade e por uma postura combativa que, ao invés de apaziguar, tende a acirrar os ânimos no Congresso.
A escolha da deputada evidencia um problema mais profundo: Lula se fechou em copas, isolado em um Palácio cercado por engraxadores políticos e conselheiros que o blindam da realidade. Enquanto a crise se desenha no horizonte, dá sinais de uma verdadeira falta do 'tato contato' com a política congressual e o povo brasileiro.
Mas o impacto da nomeação de Gleisi vai além da política. O mercado reagiu mal porque vê nela uma ameaça ao já frágil compromisso do governo com o ajuste fiscal. Sua posição contrária ao equilíbrio das contas públicas reforça a percepção de que novos gastos virão, pressionando ainda mais o câmbio e afastando investidores. Como se não bastasse o cenário doméstico conturbado, a tensão geopolítica internacional, agravada pelo encontro desastroso entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, empurrou ainda mais o dólar para cima, tornando o quadro econômico brasileiro ainda mais delicado.
A pergunta que fica: o Planalto captará os sinais a tempo de evitar um estrago maior ou seguirá navegando rumo à tormenta, sem bússola e com um timoneiro que insiste em ignorar os alertas? O barco do governo já faz água, e agora, com Gleisi no comando das relações institucionais, a tendência é que mais aliados remem em sentido opodo em busca de um porto seguro.
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