
O senso comum diz que contra fatos não há argumentos. E, de fato, os números falam por si. Os dados do desemprego no Brasil são um reflexo direto da política econômica adotada pelo governo e da crescente falta de credibilidade do Planalto. Para aqueles que ainda insistiam na tese de que a queda na confiança e na popularidade de Lula era apenas um problema de comunicação, os novos índices do desemprego são um choque de realidade.
A taxa de desocupação subiu para 6,5% no trimestre encerrado em janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre anterior (encerrado em outubro de 2024), a taxa era de 6,2%. A alta pode parecer pequena, mas representa 400 mil brasileiros a mais sem trabalho. A pergunta que não quer calar: isso é um problema pontual ou uma tendência irreversível?
Os dados revelam um cenário preocupante. A população ocupada caiu para 103 milhões de trabalhadores, uma redução de 641 mil pessoas em apenas três meses. O número de desempregados saltou para 7,2 milhões, mostrando um aumento de 5,3% no trimestre.
O governo tenta minimizar a situação ao comparar os números com os do ano passado. De fato, há uma melhora na base anual: em janeiro de 2024, o desemprego era de 7,4%. No entanto, essa análise esconde a principal questão: a economia parou de gerar empregos e começou a destruí-los novamente.
O problema é estrutural. Com uma política econômica focada em aumento de impostos, taxação sobre setores produtivos e falta de estímulos reais para o crescimento, o mercado de trabalho sofre os impactos diretos. Sem confiança no governo, empresários hesitam em investir e contratar. Sem novas vagas, o desemprego sobe e o consumo cai.
Mesmo com o rendimento médio do trabalhador crescendo 1,4% no trimestre e 3,7% no ano, a pergunta que importa é: o poder de compra realmente aumentou? Com a inflação corroendo os salários, a resposta parece óbvia.
O desemprego em alta é apenas mais um dos sintomas de um governo que não consegue entregar o que prometeu. A ilusão de que bastava "melhorar a comunicação" para reverter a perda de popularidade já não se sustenta. Contra fatos, não há argumentos — e os fatos mostram que o Brasil está voltando a ter medo do desemprego.
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