
O governo federal queria vender a liberação do saque-aniversário do FGTS como um grande alívio para os trabalhadores e, de quebra, faturar politicamente com isso. Mas, na prática, o que se vê é um grande balde de água fria. Dos 12 milhões de brasileiros supostamente beneficiados, 9,5 milhões (ou seja, 80%) não poderão sacar o valor integral de seus fundos. Motivo? Muitos já haviam antecipado o saque via empréstimos bancários e, agora, o dinheiro que "liberaram" já tem dono: os bancos.
A ideia de usar o FGTS como trunfo para recuperar a popularidade de um governo desgastado por inflação alta, arrocho fiscal e promessas não cumpridas parece ter dado errado. Afinal, colocar dinheiro no bolso do trabalhador até ajuda a melhorar a imagem do governo, mas apenas se esse dinheiro realmente chegar até ele. Como a maior parte dos saques ficará retida para pagar dívidas bancárias, o impacto político esperado pode ser muito menor do que o Palácio do Planalto imaginava.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tentou justificar: "O trabalhador terá direito de sacar o valor líquido, enquanto o restante será usado para honrar compromissos com as instituições financeiras". Traduzindo: o dinheiro não vai para o bolso do trabalhador, mas para os cofres dos bancos. Mais uma vez os banqueiros vão "lavar a burra".
Além disso, o governo sabe que a perda de poder de compra da população tem sido um dos principais fatores do desgaste do presidente Lula. A alta dos preços dos alimentos, da gasolina e do custo de vida em geral corroeu a confiança até entre os eleitores mais fiéis. Mas será que o governo tem um plano real para aliviar essa situação?
Até agora, a estratégia tem sido anunciar medidas paliativas, sem atacar a raiz do problema: a inflação. E mesmo esse tipo de "solução" não tem funcionado bem. Se a liberação do FGTS já foi um tiro que saiu pela culatra, quais serão os próximos passos do governo para tentar reverter a crise de credibilidade?
Enquanto isso, na casa do trabalhador, a realidade é outra. O "bife do oião" - aquele clássico arroz com ovo - já não está mais tão acessível, já que até os ovos subiram de preço. O governo precisa reaprender a governar para o povo. Por enquanto, apenas os banqueiros agradecem.
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