
É impossível ignorar a ostentação e a audácia do crime organizado e do narcotráfico que dominam os morros e favelas do Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, criminosos desfilam em carrões de luxo e motocicletas caras, fruto de roubos ou comprados com o dinheiro sujo do tráfico de drogas. Mas o luxo não para por aí. Muitos desses traficantes vão além, construindo verdadeiras fortalezas disfarçadas de mansões, onde vivem como reis, intocáveis pela lei. Recentemente, a polícia descobriu um quadriplex com jacuzzi e piscina na comunidade da Maré, levantando a suspeita de que a construção foi financiada pelo tráfico.
Como essas obras são erguidas sem o conhecimento do Estado? Onde estão os alvarás, os registros de habite-se da prefeitura? Esse caso levanta uma questão ainda mais grave: será que o Estado brasileiro realmente não consegue chegar às comunidades, deixando-as nas mãos do crime? Ou, pior ainda, existe algum nível de conivência que permite que essas construções ilegais prosperem?
Nesta terça-feira (13), a Prefeitura do Rio de Janeiro deu início à demolição de um condomínio com mais de 300 imóveis construídos sem autorização no Parque União, uma das áreas do Complexo da Maré. O que mais chocou os agentes foram duas coberturas de luxo, avaliadas em R$ 5 milhões, completas com jacuzzi, piscina com cascata, churrasqueira e até um closet. Tudo isso em meio à miséria de uma das favelas mais perigosas do Rio. A polícia investiga se esses imóveis foram erguidos com dinheiro do tráfico.
A operação, que envolveu a Secretaria de Ordem Pública (Seop), a Promotoria do Rio de Janeiro, a Polícia Civil e a Polícia Militar, expôs a magnitude do crime organizado na cidade. Engenheiros da prefeitura estimam que o condomínio, composto por 41 prédios, valia cerca de R$ 30 milhões.
Como um empreendimento tão grandioso pode ter sido construído sem que as autoridades percebessem? A ausência de alvarás e da fiscalização da prefeitura revela um Estado ausente ou, talvez, conivente. A Polícia Civil e o Ministério Público agora investigam se o empreendimento foi financiado pela lavagem de dinheiro do tráfico, e se há crimes ambientais envolvidos.
As investigações indicam que o Parque União tem sido usado há anos como base para a construção de empreendimentos destinados à lavagem de dinheiro do tráfico. Apesar da ação policial, ainda há muitos questionamentos sobre como esses criminosos conseguiram construir um império tão grandioso sem serem detectados.
O governador Cláudio Castro afirmou que "graças ao uso da inteligência e a uma ação integrada e bem planejada, chegamos a esses criminosos. Vamos continuar atrás de quem ousa desafiar o Estado, atingindo a raiz desses grupos, que é o controle financeiro".
Mas será que a demolição desse condomínio é o começo do fim para o império do tráfico na Maré, ou apenas mais um capítulo em uma longa guerra contra o crime que muitas vezes leva a melhor? Afinal, desde início da Pandemia, o crime organizado, o tráfico e as facções têm conseguido nas altas cortes judiciárias que as polícias atuem nas favelas, que o Estado armado combata o crime através de operações nos morros, redutos de grupos criminosos em cidades como o Rio de Janeiro.
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