
Imagine uma forma de criar gado que não só evita a degradação do solo, mas também o regenera, trazendo vida de volta ao campo. Essa é a promessa da pecuária regenerativa, uma abordagem inovadora e de baixo custo que tem o potencial de transformar até 70% das pastagens degradadas no mundo — incluindo quase 60% das terras devastadas no Brasil.
Parece ficção científica? Não é. A pecuária regenerativa combina práticas agrícolas que restauram a saúde do solo, aumentam a produtividade e ajudam a conservar a biodiversidade. Além de revitalizar o solo, essa técnica melhora a capacidade de armazenamento de água e pode ser crucial para a recuperação dos biomas mais afetados pela ação humana e pelas mudanças climáticas.
Segundo a pesquisadora Alessandra Matte, que estuda os impactos de diferentes práticas pecuárias, a adoção dessa abordagem pode trazer benefícios ambientais significativos, ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade e melhora os rendimentos das famílias rurais. "Com a pecuária regenerativa, estamos falando não só da recuperação do solo, mas também da preservação de toda uma cadeia sociobiodiversa", destaca Matte em entrevista ao Jornal da USP.
Embora a pecuária regenerativa seja acessível em termos de custos, ela exige capacitação e uma nova mentalidade entre os produtores. É um esforço conjunto, onde agrônomos, pecuaristas e outros profissionais trabalham lado a lado para escolher plantas que nutrem o solo, adaptar animais aos diferentes biomas e otimizar recursos como água e adubo.
A urgência dessa mudança é real. Um relatório da ONU já alertou que metade das pastagens naturais do planeta estão degradadas, muitas delas à beira da desertificação. O tempo é curto, mas a pecuária regenerativa pode ser a chave para virar esse jogo, não só no Brasil, mas em toda a América Latina e Caribe.
Portanto, se você ainda não conhecia a pecuária regenerativa, é hora de prestar atenção. Essa técnica pode ser a resposta que o campo e o planeta estavam esperando.
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