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'Censo do crime nacional': É assim que o PCC planeja investimentos, combate rivais e direciona alianças

Esse levantamento minucioso tem como objetivo definir investimentos, combater rivais e direcionar alianças estratégicas, consolidando ainda mais sua posição como a maior organização criminosa do Brasil

13/08/2024 às 08h26
Por: Douglas Ferreira
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Estudo feito para o Ipea aponta que facção paulista faz levantamento constante para entender quem e quantos são seus aliados e focar seus recursos -- Imagem: Reprodução
Estudo feito para o Ipea aponta que facção paulista faz levantamento constante para entender quem e quantos são seus aliados e focar seus recursos -- Imagem: Reprodução

O Primeiro Comando da Capital (PCC) não é apenas uma facção criminosa; é uma máquina de organização e planejamento que desafia até mesmo institutos de pesquisa renomados. Com uma estrutura tão robusta quanto os maiores conglomerados, o PCC está realizando o que poderia ser chamado de “censo do crime” em escala nacional. Esse levantamento minucioso tem como objetivo definir investimentos, combater rivais e direcionar alianças estratégicas, consolidando ainda mais sua posição como a maior organização criminosa do Brasil.

De acordo com uma reportagem da BBC News Brasil, baseada em um estudo realizado pela pesquisadora Camila Nunes Dias para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o PCC não apenas quantifica seus próprios membros, mas também faz um mapeamento detalhado das facções rivais. E não é um exercício ocasional - esse levantamento é repetido a cada 15 dias, mostrando um grau de sofisticação e planejamento que rivaliza com operações militares.

O estudo, que focou inicialmente em dados obtidos nos Estados da região Norte, revela que o PCC categoriza outras facções como “amigas”, “inimigas” ou “neutras”, com o objetivo de distribuir recursos e planejar suas ações de forma estratégica. O primeiro censo documentado pela pesquisadora data de outubro de 2016 e mapeava a presença de sete facções nos Estados do Acre, Amazonas e Pará. Embora não se saiba se esse foi o primeiro levantamento desse tipo, ele coincide com o período em que os primeiros conflitos entre o PCC e o Comando Vermelho (CV) começaram a emergir.

Camila Nunes Dias, autora do livro PCC: Hegemonia nas Prisões e Monopólio da Violência, destaca que o PCC e o CV mantinham um pacto para a compra de drogas e armas em regiões de fronteira e para a proteção de seus integrantes nas prisões controladas pelos grupos. No entanto, com o rompimento dessa aliança, o PCC intensificou seus esforços para mapear e entender o cenário criminal do país, transformando-se em uma verdadeira corporação do crime, onde nada é deixado ao acaso.

Essa capacidade de organização e planejamento não apenas solidifica o PCC como a maior facção criminosa do Brasil, mas também revela uma faceta perturbadora da evolução do crime organizado, que agora opera com uma precisão quase corporativa.

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