
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (12) que a possibilidade de aumento de juros continua em discussão, conforme mencionado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Sua declaração vem em resposta às interpretações do mercado, que haviam subestimado essa possibilidade após a divulgação do comunicado inicial do Copom em 31 de julho.
Durante o evento Warren Day, em São Paulo, Galípolo esclareceu que, embora o comunicado do Copom possa ter sido interpretado como uma exclusão da chance de alta, a ata deixou claro que o Banco Central não hesitará em ajustar a taxa Selic para controlar a inflação. Na reunião de julho, o Copom decidiu, de forma unânime, manter a taxa de juros em 10,5% ao ano.
As declarações de Galípolo impactaram o mercado cambial, contribuindo para a queda de 0,28% no valor do dólar, que fechou o dia a R$ 5,498. O diretor também comentou sobre a situação desconfortável em relação à meta de inflação de 3% e reafirmou a disposição unânime do Copom em elevar a Selic, caso necessário.
Galípolo é visto como um forte candidato a substituir Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central. Sua indicação é amplamente esperada para setembro, com a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado preparando-se para a sabatina e votação de seu nome. No entanto, ele destacou que a decisão final cabe ao presidente Lula e à aprovação do Senado.
Além das questões monetárias, Galípolo alertou sobre a volatilidade nos mercados de câmbio, afirmando que o ambiente atual está mais incerto do que o normal. Ele ressaltou que o Banco Central monitora diversas variáveis além da taxa de câmbio, sendo um erro estabelecer uma relação direta e mecânica entre o valor do real frente ao dólar e as decisões de juros.
Por fim, Galípolo mencionou as preocupações do Banco Central com temas emergentes como criptomoedas e apostas online, que vêm aumentando a volatilidade nos mercados. Ele destacou que esses fatores ainda não têm impacto claro na inflação, o que justifica uma postura cautelosa por parte da instituição.
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