
Pela sétima vez consecutiva, o dólar encerrou o dia em queda frente ao real, recuando 0,73% nesta terça-feira (28) e sendo cotado a R$ 5,86 – o menor valor desde novembro. A desvalorização contrasta com o fortalecimento global da moeda americana frente às principais divisas do mundo, destacando um comportamento atípico no mercado brasileiro.
Segundo analistas, o movimento de queda no Brasil é explicado pelo aumento da entrada de capital estrangeiro, impulsionado por dois fatores principais: a atratividade dos juros altos no país e o relativo alívio nas tensões comerciais com os Estados Unidos.
A taxa básica de juros (Selic), atualmente em 12,25% ao ano, está entre as mais altas do mundo, tornando o Brasil um destino atraente para investidores interessados em renda fixa. Este fluxo de recursos amplia a oferta de dólares no mercado interno, reduzindo sua cotação.
Paralelamente, o chamado "efeito Donald Trump" tem contribuído para a redução da volatilidade cambial. A ausência de medidas agressivas do governo americano em relação a tarifas de importação tem trazido uma leve calmaria ao cenário econômico global, o que beneficia emergentes como o Brasil.
Por outro lado, o fortalecimento do dólar em nível global reflete a expectativa de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos, com aumentos graduais nas taxas de juros promovidos pelo Federal Reserve (Fed). Isso tende a valorizar a moeda americana em relação a outras economias desenvolvidas.
Apesar da recente sequência de recuos, a manutenção da queda do dólar dependerá de uma combinação de fatores. O anúncio da nova taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (29) será crucial. Caso a alta de um ponto percentual se confirme, elevando a Selic para 13,25% ao ano, o Brasil poderá atrair ainda mais investidores estrangeiros.
Contudo, a tendência de queda pode ser limitada se o Fed seguir com aumentos significativos nos juros americanos, o que poderia reduzir o apetite por mercados emergentes.
A queda do dólar tem efeitos diversos sobre a economia brasileira. Por um lado, ela reduz a pressão sobre os preços de bens importados, como combustíveis e fertilizantes, o que ajuda a conter a inflação. Esse movimento também pode facilitar a redução das taxas de juros no futuro, aliviando o custo do crédito para empresas e consumidores.
Por outro lado, um dólar mais baixo pode reduzir a competitividade das exportações brasileiras, especialmente de commodities como soja e carne. A menor cotação também afeta a rentabilidade de empresas exportadoras, impactando diretamente setores que dependem de mercados externos.
Enquanto o dólar recua, a Bolsa brasileira segue em queda – uma indicação de que o interesse estrangeiro está concentrado na renda fixa, e não na renda variável. "Os investidores estrangeiros estão aproveitando os altos juros no Brasil, mas sem apostar em um crescimento robusto da economia ou no mercado de ações", explicou Emerson Vieira Junior, da Convexa Investimentos.
Embora o cenário atual indique uma tendência de estabilidade para o dólar, fatores externos como a política monetária americana e a volatilidade global podem reverter esse movimento. Internamente, a continuidade da entrada de capital estrangeiro será chave para sustentar a moeda americana em baixa, mas dependerá de políticas econômicas que mantenham o Brasil atrativo para investidores.
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