Domingo, 28 de Junho de 2026
29°

Tempo nublado

Teresina, PI

Economia INFLAÇÃO EM ALTA

Rui Costa anuncia redução de alíquotas de alimentos importados para conter alta dos preços

Casa Civil protagoniza debate sobre inflação enquanto Haddad parece preterido do processo

24/01/2025 às 18h59
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Rui Costa assume o protagonismo do combate à inflação - Foto: Reprodução
Rui Costa assume o protagonismo do combate à inflação - Foto: Reprodução

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, anunciou nesta sexta-feira (24) que o governo reduzirá alíquotas de importação para conter a alta dos preços dos alimentos, uma medida que gerou mais perguntas do que respostas. A declaração foi feita após reunião com o presidente Lula e outros ministros, mas a participação de Costa no anúncio de medidas econômicas, tradicionalmente lideradas pelo Ministério da Fazenda, levanta questionamentos: por que o ministro Fernando Haddad, titular da pasta, está sendo deixado de lado?

Costa afirmou que a redução de alíquotas será aplicada aos produtos cujos preços internacionais estiverem mais baixos que os nacionais. "Atuaremos na redução de alíquotas para forçar o preço a vir pelo menos para o patamar internacional", disse. Ele enfatizou que não haverá congelamento de preços ou subsídios, destacando que as expectativas para 2025 são positivas, devido ao aumento da produção agrícola.

Porém, a fala de Rui Costa vem acompanhada de contradições. Mais cedo, ele classificou a redução de alíquotas como inviável, levantando dúvidas sobre a consistência de suas declarações. Além disso, a proposta surge horas depois de uma polêmica envolvendo sua sugestão de flexibilizar prazos de validade de alimentos, prontamente descartada após repercussão negativa.

Por que a Casa Civil assume o protagonismo?

A interferência de Rui Costa em pautas econômicas é inusitada e sugere disputas internas no governo. Haddad, que deveria liderar as medidas de combate à inflação, foi escanteado das declarações mais recentes. Enquanto isso, a Fazenda e o Banco Central divergem sobre a regulamentação de cartões de alimentação, um dos tópicos abordados na mesma reunião.

Divergências internas também permeiam o diagnóstico da alta de preços. Enquanto os ministérios ligados à agricultura apontam o impacto do dólar e eventos climáticos, a área econômica analisa a demanda internacional por produtos brasileiros e a pressão sobre commodities como carne e café.

Plano ou improviso?

A falta de clareza sobre como as medidas serão implementadas alimenta dúvidas sobre a eficácia das ações. Costa afirmou que reuniões com produtores, supermercados e frigoríficos serão realizadas para buscar sugestões de estímulo à produção. No entanto, até agora, nenhuma medida concreta foi detalhada.

A equipe econômica defende o fortalecimento da agricultura familiar como solução. O aumento de 43% no volume de recursos do Plano Safra e os contratos de opção para a produção de arroz são citados como medidas bem-sucedidas, mas resta saber se elas serão suficientes para conter a alta nos preços da cesta básica.

Mais um equívoco de comunicação?

A palavra “intervenção”, usada por Costa em declarações anteriores, foi substituída por “medidas” após críticas. Segundo o ministro Paulo Teixeira, o termo foi um "equívoco de comunicação". Porém, o episódio evidencia a dificuldade do governo em articular suas propostas de forma clara e coesa.

Com declarações contraditórias e um protagonismo inusitado da Casa Civil, a pergunta que fica é: até que ponto Rui Costa está preparado para assumir um papel central em decisões econômicas? Ou será que, mais uma vez, estamos diante de uma trapalhada que poderá comprometer a credibilidade do governo no combate à inflação?

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários