
Os pedidos de recuperação judicial no Brasil atingiram um patamar alarmante em 2024, com 2.085 solicitações registradas até novembro, segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian. O número representa um aumento de 37,7% em relação ao mesmo período de 2023, configurando o maior volume desde o início da série histórica, em 2016, quando foram contabilizados 1.863 pedidos. Projeções indicam que o ano pode fechar com mais de 2,2 mil solicitações, marcando um aumento de 22% em comparação com o recorde anterior.
O que está por trás do aumento?
A combinação de taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito, e a inadimplência crescente dos consumidores é o principal motor desse fenômeno. A inflação corrói o poder de compra, reduzindo o volume de vendas e prejudicando o fluxo de caixa das empresas. Segundo Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, esse cenário afeta sobretudo pequenas e médias empresas, que já enfrentam dificuldade para acessar financiamentos bancários e se tornam mais vulneráveis a oscilações econômicas.
Impactos setoriais e econômicos
Até novembro, o setor de Serviços concentrou o maior número de pedidos de recuperação judicial, com 849 casos, seguido pelo Comércio (492) e pela Indústria (323). Esse panorama reflete o peso da retração do consumo em áreas como turismo, alimentação e transporte, enquanto a indústria, apesar de ser menos atingida, também enfrenta desafios com a queda da demanda e o aumento dos custos de produção.
Além disso, o crescimento expressivo nos pedidos de falências, que aumentaram 82,1% em novembro de 2024 em relação ao mesmo mês do ano anterior, evidencia o agravamento da crise. Foram 71 solicitações no mês, sendo as micro e pequenas empresas as mais afetadas, com 39 registros.
O que os números representam?
A alta nos pedidos de recuperação judicial e falências não apenas aponta para dificuldades individuais das empresas, mas também sinaliza fragilidades estruturais na economia nacional. Esses números refletem uma retração no dinamismo econômico, redução na geração de empregos e perda de arrecadação tributária, ampliando os desafios para a recuperação econômica em 2025.
Caminhos para a recuperação
A necessidade de medidas de estímulo econômico é urgente. A redução gradual das taxas de juros, políticas de incentivo ao crédito e estratégias para conter a inadimplência podem oferecer alívio às empresas, sobretudo às pequenas e médias, que compõem a maior parcela das solicitações de recuperação judicial. Além disso, a recuperação do poder de compra dos consumidores é essencial para reativar setores como o de Serviços e Comércio.
Enquanto isso, os números de 2024 reforçam a importância de políticas públicas voltadas para estabilizar a economia e proteger os negócios de menor porte, garantindo um ambiente mais favorável para a sobrevivência e crescimento empresarial no Brasil.
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