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Falência da empresa Sete Brasil expõe legado de corrupção

Após oito anos de recuperação judicial e envolvimento em escândalos de corrupção, a Sete Brasil tem falência decretada com dívida de R$ 36 bilhões, marcando o colapso de um projeto símbolo do pré-sal

06/01/2025 às 20h38 Atualizada em 09/01/2025 às 11h12
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência do Grupo Sete Brasil, criado em 2010 para fornecer 28 sondas de perfuração à Petrobras. O projeto, idealizado durante o governo Lula, prometia transformar o Brasil em referência global na exploração de petróleo na camada pré-sal, mas terminou como um retrato de corrupção e ineficiência. Com dívidas acumuladas de R$ 36 bilhões e inadimplência de 99,96%, a decisão foi anunciada após oito anos de um infrutífero processo de recuperação judicial.

O juiz Luiz Alberto Carvalho Alves, da 3ª Vara Empresarial, destacou a incapacidade da empresa de retomar suas atividades e o aumento do passivo durante o processo. Apenas quatro das 28 sondas previstas tiveram obras iniciadas, enquanto despesas administrativas dispararam, ultrapassando R$ 4,6 milhões por mês. Investigações da Operação Lava Jato revelaram que executivos da Sete Brasil e da Petrobras participaram de esquemas de corrupção que minaram a viabilidade do projeto, envolvendo propinas pagas a políticos e contratos superfaturados.

A falência frustra articulações de bastidores, como a tentativa do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de negociar um acordo com a Petrobras para evitar a insolvência da empresa. A estratégia, que incluía o pagamento de R$ 1,15 bilhão pela estatal, foi rejeitada por falta de consenso entre os conselheiros da petroleira, que temiam continuar sendo processados mesmo após o desembolso.

Além de ser um caso emblemático de corrupção, a história da Sete Brasil reflete escolhas equivocadas de gestão pública. O modelo intervencionista adotado pelo governo na época utilizou a Petrobras como instrumento de política industrial, impondo projetos bilionários e insustentáveis. A falência da empresa é vista como o fim de um ciclo de delírios ufanistas que custaram caro à economia e ao setor energético do nosso amado e querido Brasil.

Apesar de a Sete Brasil ainda poder recorrer, especialistas avaliam que o encerramento das atividades representa uma oportunidade para discutir os limites da interferência estatal na economia. Para muitos, é um lembrete de que projetos megalomaníacos, quando desprovidos de planejamento e governança, podem gerar prejuízos irreparáveis – pagos por toda a sociedade.

Confira o documento do processo:

Clique aqui para ver o documento "Sentenca.pdf"

 

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