
A confiança do empresário industrial no Brasil sofreu uma queda expressiva em dezembro de 2024, conforme aponta o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Dos 29 setores analisados, 27 apresentaram recuo no índice, refletindo um cenário de pessimismo generalizado na indústria nacional.
Pela primeira vez desde maio de 2023, 16 setores passaram de um estado de confiança para falta de confiança, consolidando o maior número de setores pessimistas em quase dois anos. O ICEI utiliza a marca de 50 pontos como divisor: valores acima indicam confiança e abaixo, falta de confiança. A pesquisa, realizada mensalmente, abrangeu 1.868 empresas de diferentes portes, sendo 738 pequenas, 679 médias e 451 grandes.
Setores mais e menos confiantes
Entre os setores mais otimistas, destacaram-se Farmoquímicos e Farmacêuticos, com 57,3 pontos, seguidos por Bebidas (55,0) e Impressão e Reprodução (53,0). Por outro lado, setores como Produtos de Borracha (44,3), Madeira (45,6) e Têxteis (47,6) apresentaram os menores índices de confiança. Um dado positivo foi o desempenho do setor de Equipamentos de Informática, Eletrônicos e Ópticos, que saiu da faixa de falta de confiança, alcançando 52,0 pontos.
Impacto por porte das empresas
A queda de confiança afetou empresas de todos os tamanhos, embora as grandes tenham se mantido na faixa positiva, com recuo de 54,0 para 51,4 pontos. Já as pequenas e médias empresas cruzaram a linha para a falta de confiança, com índices de 49,6 e 49,8 pontos, respectivamente. Esses dados evidenciam que empresas menores estão mais vulneráveis às incertezas econômicas atuais.
Regiões mais afetadas
A retração do ICEI foi registrada em todas as regiões do Brasil, com destaque para o Sul, que teve a maior queda (-4,0 pontos). Sudeste (-2,5) e Nordeste (-2,3) também mostraram desaceleração significativa. Enquanto as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ainda se mantiveram confiantes, o Sul e Sudeste caíram abaixo dos 50 pontos, sinalizando falta de confiança no desempenho futuro.
Perspectivas econômicas preocupantes
O quadro geral é de retração: o número de setores confiantes caiu de 27, em novembro, para apenas 11 em dezembro. Segundo a CNI, fatores como juros altos, que reduzem a demanda, e a alta do câmbio, que eleva custos, contribuíram para o pessimismo. Além disso, incertezas quanto ao ajuste fiscal e seus impactos na economia ampliaram as dificuldades enfrentadas pela indústria nacional.
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